Aos 15 anos de idade, Alessandra da Rosa era uma adolescente típica de uma comunidade rural do sul de Santa Catarina. Da família herdou a simplicidade e humildade para encarar a vida. Como toda menina sonhava em encontrar um príncipe encantado. A procura não demorou muito. O pretendente logo apareceu. Feliz contou para as amigas e para a família que estava apaixonada.

Alessandra começou a namorar um rapaz boa pinta. Pablo Silva era o nome do moço. Ele gostava de jogar futebol e frequentar bares e “noitadas” com os amigos. Consumia bebidas alcoólicas frequentemente. Parecia tudo normal se não fosse algumas alterações no comportamento.

Com o passar dos dias, os encontros de Alessandra e Pablo foram se tornando mais frequentes. E logo a garota observara algumas atitudes estranhas no tratamento do parceiro para com ela.

Palavras e frases que extrapolavam a fronteira do respeito. A jovem não sabia ao certo como lidar com a situação e muito menos que estava sendo vítima de abuso psicológico por parte do parceiro. Simplesmente silenciava.

Pablo se formou em Direito e se tornou advogado. Já Alessandra fez Pedagogia. Até deu aulas, mas, foi como corretora de imóveis que prosperou. A paixão envolvendo o jovem casal, ignorou os abusos e agressões verbais.

Após quatro anos de namoro resolveram noivar e casar. Logo vieram os filhos. Primeiro nasceu Isabela. Hoje com 22 anos. E depois o menino que atualmente tem 16 anos.

Os abusos inicias se tonaram frequentes e cada vez mais agudos. Pablo não tinha hora e nem dia para chegar em casa. Quando aparecia já estava alterado e sempre verbalizada ofensas e humilhação para a companheira. Segundo Alessandra as palavras mais repetidas aos berros eram a de que ela não sabia fazer nada, que não valia nada e que ela era um atraso de vida.

O ciúme obsessivo por parte do marido também sufocou o relacionamento. Há um ano e meio, Alessandra resolveu denunciar o esposo e terminar o casamento que durou 24 anos. Mas Pablo não aceitou o fim da relação e começou a ameaçá-la de morte. Chegou a entrar e quebrar objetos do local de trabalho da ex-companheira.

Após o fato, Alessandra registrou um boletim de ocorrência e está sob medida protetiva. Pablo não pode se aproximar dela num raio de 100 metros. Mesmo assim ignorou a ordem judicial e foi preso uma vez nos últimos meses. Mas agora está solto.

Alessandra revelou para nossa equipe que ficou com alguns traumas. Faz tratamentos psicológicos. Vive com medo. Ela entrou para as estatísticas de centenas de mulheres que são abusadas ou ameaçadas de alguma forma por homens truculentos e violentos.

Números assustam

A história de Alessandra ilustra a de centenas de mulheres da região da Amesc. Somente em janeiro deste ano, o município de Araranguá contabilizou 16 ocorrências envolvendo o crime de violência contra a mulher.

Já na região, de acordo com o delegado Henrique Gonçalves que é responsável pela delegacia de proteção à criança, adolescente, mulher e idoso (DPCAMI), no ano passado foram 485 inquéritos instaurados, 400 só de violência contra a mulher.

O delegado ainda alerta que a violência pode acontecer de várias formas como: violência psicológica, violência sexual, violência simbólica e violência patrimonial. Assim que a mulher se sentir vítima deve procurar a delegacia da mulher mais próxima ou ligar para a Central de Atendimento à Mulher no número 180. A ligação é gratuita e anônima.

*Essa é uma história real. Por questões de segurança os nomes da mulher e dos filhos foram preservados.