Dois jovens de 18 anos e um homem com mais de 30, foram presos temporariamente nas primeiras horas da manhã de ontem, segunda-feira, dia 27, para auxiliar nas investigações do assassinato do adolescente Érick Kanaã Xavier da Silva de apenas 15 anos, assassinado em Balneário Arroio do Silva, na madrugada de domingo, dia 12.

Os pedidos de prisão foram representados pelo delegado Jair Pereira Duarte, que está à frente das investigações. Segundo a autoridade policial, os trabalhos contam com apoio da Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Araranguá, da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (DPCAMI) e da DPMU de Balneário Arroio do Silva.

“Nós levantamos mais informações acerca do crime e pedimos pelas três prisões temporárias na quinta-feira da semana passada. Também tenho que fazer um elogio à agilidade do Judiciário e do Ministério Público de Araranguá, pois na sexta-feira eu já estava com os pedidos de prisão nas mãos, sendo eles cumpridos nesta segunda-feira”, expôs o delegado Jair Pereira Duarte.

Conforme a autoridade policial, a prisão temporária é de 30 dias, por se tratar de um crime hediondo e, dos três presos, dois já têm passagens policiais, um por homicídio, tráfico de drogas, posse e porte de arma de fogo e outro por tráfico de drogas e negam a participação no assassinato e ocultação do corpo. Já o terceiro preso de 18 anos, um dos principais suspeitos, até então não tinha passagens policiais e desde ontem, acumula duas, uma pela suspeita na participação do homicídio, já que confessou ter participado da ocultação do corpo do garoto e outra por dano ao patrimônio público, já que danificou o cadeado da cela da Delegacia de Polícia de Arroio do Silva, tentando fugir.

Em princípio, os três suspeitos irão aguardar na cela da Central de Polícia de Araranguá por 30 dias. “Os suspeitos podem ser liberados ou até podem ser pedidas as prisões preventivas deles no decorrer do inquérito policial”, afirmou o delegado Jair.

O delegado Jair afirmou já ter a motivação e a autoria do crime de homicídio definida, porém ainda está sob sigilo para não atrapalhar o curso da investigação. Ainda de acordo com o delegado, várias linhas de investigação ainda estão sendo trabalhadas para que a Polícia Civil possa chegar a outros envolvidos nos fatos criminosos que ocorreram naquela madrugada.

Relembre o crime

O adolescente Érick saiu de casa para ir a uma festa de aniversário, em uma residência localizada na Praia da Meta, por volta das 20 horas daquele sábado, dia 11 de junho. De acordo com informações da Polícia Civil, a morte do rapaz ocorreu por volta da 1 hora de domingo, dia 12. Entre 1h30min e 3 horas da manhã de domingo, a Polícia Militar recebeu três ligações, pedindo para que os policiais fossem até a casa onde foi realizada a festa, pois havia um corpo lá. A PM foi até a residência realizou rondas, porém não encontrou o corpo da vítima.

Por volta das 09h30min de domingo, uma adolescente amiga da vítima e com quem Érick foi à festa, procurou a família do rapaz e contou, com informações bastante desencontradas, que o jovem estava morto. Uma tia do jovem ligou novamente para a Polícia Militar, que se dirigiu até o local onde teria acontecido o crime e após buscas, encontrou o corpo do garoto nu, apenas de meias, envolto em cortinas (pertencentes a residência onde a festa foi realizada), às margens da estrada de chão que liga o Arroio do Silva ao Loteamento Paiquerê, cerca de 3 quilômetros de distância da residência onde ocorreu a festa.

Informações das policias Civil e Militar, dão conta de que na casa onde aconteceu a comemoração havia muita bebida alcoólica e nenhuma comida, a residência seria da avó do aniversariante e teria sido alugada por ele, por R$ 70. Ainda de acordo com mensagem enviada pelo aniversariante para integrantes de um grupo de WhatsApp, montado para a organização da festa, os homens deveriam levar um kit (uma garrafa de vodka e dois litros de energético), as mulheres levariam o “currículo” (presença).

Na festa havia pelo menos três carros com som alto, tocando funk e música eletrônica e cerca de 150 pessoas. A casa ainda foi limpa antes da polícia chegar ao local, porém vestígios de sangue foram encontrados do lado de fora da residência. Em Érick foram encontradas marcas de esganadura no pescoço, lesões na cabeça, nas costas e nos pulsos, comprovando que o rapaz apanhou muito antes de morrer sufocado.