Uma espera que não acaba mais – esta é a sensação dos 1.176 aprovados no concurso realizado pela Polícia Militar do Estado em abril do ano passado, e que ainda não foram chamados para atuar na segurança ostensiva em Santa Catarina. Ao contrário dos outros concursos, esta é a primeira vez no Estado em que sobram aprovados para as vagas de policiais militares. Em 2013, 210 mulheres aprovadas no concurso conseguiram a contratação via judicial após o concurso não ter atingido a cota masculina de aprovados. Com isso, o ingresso de mulheres na PM em SC naquele ano superou a cota prevista pelo sexo feminino, que é de 6%.

A angústia tem razão de ser: esses jovens, que são  homens e mulheres, se prepararam para o concurso, com  estudos para as provas teóricas e muito exercício para as  provas práticas e físicas. Além dessas etapas, eles  também investiram em exames médicos e avaliações  psicológicas, que por uma questão de restrição de tempo,  tiveram que ser pagas: “Eu mesmo investi R$ 1,6 mil nesses exames, mas sei de pessoas que moram no interior que tiveram que se deslocar para realizar os exames, e gastaram mais de R$ 2 mil”, destaca um dos aprovados, morador de Araranguá, Ramon Zilli, 21, que faz parte da Comissão dos Excedentes do Concurso da PM em 2015, e diz estar muito angustiado com a situação.

Assim como Ramon, que diz que ser policial militar é um sonho antigo, outros 180 aprovados são moradores do Vale do Araranguá, e aguardam ansiosos pela chamada que não chega. Dos 1.887 aprovados, apenas 711 foram chamados para assumir as vagas agora em junho. O número é insuficiente, já que, segundo a APRASC – Associação de Praças do Estado de Santa Catarina, só em 2015, 678 policiais militares foram aposentados no Estado. Para os padrões apontados pela ONU – Organização das Nações Unidas, o Estado está muito abaixo da média ideal de policiais por habitantes: em fevereiro, Santa Catarina contava com 9.806 policiais militares em seus quadros ativos, quando o ideal seria 21 mil, ou seja, 53,30% abaixo do número ideal.

Tentativas – Apesar do desejo dos aprovados ser pelo chamamento ao trabalho, uma outra opção é levantada: a prorrogação da validade do concurso, que deve terminar em 1º de junho do ano que vem. O motivo é a tentativa de garantir a vaga, diante da desesperança de ser chamados: “Realizamos sete encontros com o governador Raimundo Colombo, recebemos promessas, mas nada de concreto”, garante Zilli, que diz que os encontros aconteceram em Araranguá, Criciúma, Joinville, Blumenau, Florianópolis e no Oeste do Estado.


 Moções de apoio à causa dos excedentes da PM foram  assinadas em Câmeras de Vereadores de várias cidades  do Estado, como Blumenau, Joinville, Lebon Régis,  Maravilha, Rio do Sul, Sombrio e Timbó. Além das moções,  uma carta assinada pelo Comandante-Geral da PM no  Estado, Cel. Paulo Henrique Hemm, reafirma o interesse  da própria PM na convocação dos aprovados: “O Comando-Geral da PMSC tem interesse na convocação dos candidatos remanescentes, de forma a incrementar o efetivo da instituição, possibilitando atender a demanda de pedido de efetivo que recebemos diariamente de vários segmentos da sociedade catarinense”, destacou.

Toda a documentação, constando as moções e o ofício do Comando Geral da PM, foram anexados a um ofício elaborado pela Comissão dos aprovados excedentes, da qual Zilli é um dos membros, e encaminhado ao governador no início de maio, solicitando a contratação dos aprovados e a prorrogação da validade do concurso. A decisão agora está nas mãos de Raimundo Colombo.