No próximo dia 5 de maio completa um ano de um caso que chocou o município de Sombrio e região. Um casal que passava de carro pelo bairro São Francisco avistou cães devorando um bebê. O fato chocante deixou muitas pessoas indignadas, principalmente por terem imaginado que o bebê havia sido abandonado com vida e morto pelas mordidas. Durante nove meses, a Polícia Civil realizou um intenso trabalho de investigação para concluir o inquérito e tentar localizar a mãe do bebê, mas até o momento a autora do crime, que ficou caracterizado como homicídio, ainda não foi localizada. O Jornal Amorim conversou com o delegado de polícia, Luiz Otávio Pohlmann, responsável pelo inquérito para saber mais detalhes sobre este caso.

Crime de homicídio

Assim que teve conhecimento do crime, o delegado instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias do fato e a autoria. “O laudo cadavérico aponta que o bebê nasceu vivo, não era prematuro e que permaneceu cerca de 48 horas naquele local, até ser encontrado. Conseguimos levantar informações acerca da causa da morte. Ela não foi morta pelos cachorros, mas foi morta em decorrência de asfixia mecânica, com uma tira de sutiã e um plástico e que posteriormente, já sem vida, foi atacada pelos cães”, comenta o delegado. “Ela estava dentro de uma caixa, dentro de uma sacola e com uma pedra em cima, num local de descarte de lixo. A pessoa esteve ali e ainda não teve só a preocupação de jogar, queria ocultar o crime”. O teste O delegado explicou como é feito o teste para saber se um bebê nasceu vivo. Segundo ele, a criança quando nasce respira pela primeira vez e esse é o determinante para saber se nasceu com vida ou não. “A partir da amostra do pulmão, colocam na água e se ele boiar significa que dentro, os alvéolos tiveram contato com ar. Se não boiar, a criança não chegou a respirar e então nasceu morta”.

Mãe não foi localizada

Pohlmann conta que a Polícia Civil trabalhou incessantemente para tentar chegar à autoria do crime. Teve muitas pistas, mas não conseguiu localizar a mãe do bebê, suposta homicida. “Todas as diligências, que não foram poucas, tentavam encontrar a mãe, ter a certeza se ela foi a autora e se teve mais alguma participação. Foram varridos os hospitais da região na tentativa de encontrar alguém que tivesse dado entrada, ao ponto de chegar a ir três ou quatro vezes em um mesmo hospital. Recebemos muitas informações e todas elas foram checadas. O que temos hoje é o laudo, que aponta a causa da morte como homicídio; sabemos que o crime ocorreu em Sombrio e que ou a mãe veio de outro município ganhar e cometer o crime aqui, ou é daqui; sabemos também que a mãe deve ter tido o filho sem a ajuda de um médico, devido ao corte do cordão umbilical que não foi cirúrgico. Mas não conseguimos chegar a autoria. Tivemos algumas coisas no local, como uma sacolinha do Bob Esponja que estava com o bebê, teve a caixa em que ele estava, tudo isso foi analisado. Tivemos também uma coberta, mas descartamos por ter sido levada posteriormente por alguém que queria cobrir o bebê”. O delegado explica que não houve muitas testemunhas. “De testemunhas só tivemos as que encontraram o bebê. Não temos nenhuma testemunha do crime em si. Durante o inquérito, foram apontadas algumas possíveis suspeitas, foram feitos testes e acabaram descartadas. Todas as mulheres colaboraram e aí me atento ao fato do porque algumas informações são mantidas em sigilo. Tivemos casos em que algumas pessoas ficaram sabendo, que uma mulher foi fazer exames e ela acaba sofrendo com isso, sendo apontada como culpada estando inocente e isto não é interessante para a investigação”.

Inquérito concluído

Mesmo sem ter a autoria do crime o inquérito foi concluído e encaminhado ao judiciário. Conforme o delegado foram nove meses de investigações. “Nós não podemos permanecer uma vida toda com um inquérito aberto, procurando o culpado. Nada impede que uma hora a gente receba uma nova informação e possa reabri-lo. Temos muitas pistas, que com alguma informação, poderiam ser casadas e chegar à autoria deste crime. Principalmente por envolver um bebê nós queríamos muito resolver este caso, mas esgotamos todas as possibilidades”, comenta Pohlmann falando que em seis anos este foi o único caso contra a vida não resolvido pela Polícia Civil de Sombrio. “Desde 2010, todos os crimes de homicídio, tentativa de homicídio, latrocínio, todos foram solucionados. Este é o único que temos em aberto”.

Ajuda para solucionar o caso

Para que este caso possa ser solucionado a polícia precisa contar com a ajuda da população. É necessário que alguém passe a polícia mais informações sobre o crime. “Esperamos que agora reavivando a lembrança das pessoas, que alguém possa procurar a gente. Quem sabe esta mãe contou para uma amiga ou um parente. Ou talvez alguém na época tenha notado algo estranho. Pedimos que se alguém tenha alguma informação sobre este crime, que procure a Polícia Civil. Reforçamos que tudo é realizado com muito sigilo, que a identidade desta pessoa será preservada”. O delegado comenta que em todos os crimes recebe muitas informações e que todas são checadas. “Nós sempre contamos muito com o apoio de toda a população na solução dos crimes. Recebemos muitas informações, algumas acabam atrapalhando, por não serem verdadeiras, mas todas são checadas e muitas vezes são informações que nos ajudam a chegar a culpados e concluir muitos casos”.

Colaboração – Elisa Valerim/Jornal Amorim