Mesmo sendo a única certeza da vida, lidar com a morte é uma tarefa nada fácil. É neste momento que fragilizados, familiares que perderam seus ente-queridos necessitam de conforto e carinho. Mas essa não tem sido a realidade no necrotério do Hospital Regional de Araranguá. Ao menos é isso que denunciam os representantes da Funerária Santa Catarina. De acordo com Fernando Pereira Lamarca, sócio proprietário da empresa, um desentendimento envolvendo integrantes da Funerária Santa Terezinha, acabou em confusão no fim da manhã de hoje, dia 29.

O fato foi registrado por volta das 11h, quando segundo o empresário, membros da funerária concorrente abordaram indevidamente os familiares de um paciente do hospital que veio à óbito. “Infelizmente as empresas do ramo funerário desrespeitam a lei que prevê plantão. Só pode atender as ocorrências de óbito, a funerária plantonista do dia e isso não tem ocorrido. Eles ficam escondidos, chegam a dormir dentro dos carros para disputar clientes. Diante desta situação, somos obrigados a ficar marcando presença na porta do necrotério esperando a luz acender para também sair em busca da família da vítima. É uma completa falta de respeito com os colegas e também com as famílias neste momento de dor,” protestou.

“Urubus” de plantão

Fernando explica ainda que, segundo determina a lei, os agentes funerários são obrigados a manter uma distância de mais de 500 metros do local onde ficam os corpos, no entanto isso não tem ocorrido. “Os agentes ficam na porta do Hospital parecendo um bando de urubus, a espera do anúncio do próximo corpo. Tudo está completamente desorganizado, há uma disputa entre as funerárias e a situação muitas vezes constrange a nós mesmos e também as famílias das vítimas,” pontuou.

Fernando denuncia ainda outros tipos de irregularidades. De acordo com ele, há suspeita de pagamento de propina para liberação dos corpos no necrotério e as funerárias também participam de um esquema fraudulento de alvarás para operar em regime de plantão.

O representante da Santa Catarina mostrou à reportagem da Revista W3, a forma como os agentes estão agindo, em total desrespeito às famílias das vítimas. “Eles chegaram a raspar a tinta da janela do necrotério para conseguir visualizar se há cadáver dentro da sala. Essa situação já está insustentável,” criticou.

Central de óbitos desativada

Em 2011, o Hospital Regional de Araranguá resolveu instituir duas importantes iniciativas para acabar com a bagunça das funerárias. A primeira delas implantada no final de novembro de 2011 com a criação da Comissão de Óbitos, composta por médicos e enfermeiros e que tinha por objetivo organizar melhor os registros de morte da instituição hospitalar.

Cinco profissionais atuavam de forma integrada no controle de prontuários de pacientes em óbito e eram responsáveis por agilizar o processo e os procedimentos específicos. Além da criação da Comissão de óbitos, houve na época a implantação da Central de Funerárias. A iniciativa no entanto durou pouco e a central, segundo aponta Fernando, não existe mais. “Isso virou bagunça. Já solicitei três vezes reunião com a direção do Hospital e nenhum retorno eu obtive até agora. Vou entrar com uma ação judicial para exigir cumprimento da lei,” desabafou.