O olhar é de tristeza, o semblante de abalo e o sentimento como ela mesmo descreve é de vazio. Rita de Cassia, mãe de Gisele Monteiro Bauer, 26 anos, uma das vítimas da violência praticada no ano que passou, mantém o luto e diz que o fato mudou para sempre a vida dela e de toda família da garota, que foi assassinada com nove tiros, dentro da casa onde morava, no interior de Araranguá. Para a Polícia Civil, os tiros foram disparados pelo marido de Gisele, que há mais de três meses está preso preventivamente.

A morte de Gisele faz parte de uma estatística assustadora. Segundo dados do Instituto Médico Legal-IML, o ano de 2015 terminou deixando uma constatação negativa: a violência voltou a crescer. Conforme balanço divulgado pelo órgão, houve  aumento de 29,41% no número de homicídios, comparado a 2014.

As manchetes dos jornais, as páginas de portais e os comentários nas ruas não mentem, de fato o ano que terminou foi marcado pelo sangue derramado, como em muitos casos, de inocentes. Um dos crimes mais violentos e que marcaram negativamente 2015, foi sem dúvidas a execução da agricultora Gisele Monteiro Bauer. Casada há cinco anos com Daniel Bauer, ela foi morta com nove tiros.

A morte de Gisele deixou toda uma família desestabilizada, em choque, clamando por justiça. Nos versos de um crime muito mal contato, a família fez até passeata, para pedir maior celeridade ao caso. Sete meses depois da pior notícia que uma mãe e um pai poderiam receber, a Revista W3 traz o desabafo de quem está com o coração apertado pela saudade.

Marcada para sempre

Mais do que mãe de uma vítima de um crime brutal, Rita de Cassia foi vítima da brutal violência, que a cada dia cresce mais. Se na frieza das estatísticas a jovem agricultora que sonhava com um futuro promissor é apenas mais um número, para a família, o que fica é a angustia de quem não terá nunca mais a filha querida nos braços.

“A última vez que eu falei com ela foi pelo telefone e a voz dela não me sai da cabeça. Ela disse ‘mãe, a hora que eu puder eu passo aí, pois está chovendo e o nosso carro está na oficina’. Ela também disse para eu não esquecer o aniversário dela, que é dia 23 de junho. E naquela quarta-feira eu comprei o presente dela, mas eu nunca pude entregar o presente,” revelou dona Rita, com os olhos lacrimejados.

Saudade, lembrança, tristeza. Mais do que uma estatística, o assassino deixa uma marca eterna nos familiares da vítima. Com a sensação de justiça pelo possível assassino de Gisele estar na cadeia, Rita não esconde a infelicidade por nunca mais poder ver a filha. “Eu passo os dias lembrando dela, chorando, pedindo a Deus que ela esteja em um lugar muito bom, porque a saudade é muito grande. Tem vezes que eu nem acredito que ela morreu,” comentou.

Sobre a violência crescente, que transforma novas famílias em reféns da tristeza, Rita deixa um recado. “Não pratiquem isso, pois machuca muito a família, mata a família inteira. Não é só um que eles matam, é toda uma família que sofre demais. Que eles pensassem mais antes de fazer um ato desses, pois é muito triste. Só quem perde tem a noção exata de um sentimento chamado dor,” desabafou.

Os números da violência

Em números exatos, em 2015 foram registrados 22 homicídios, ante 17 registrados em 2014. Do total de ocorrências por gênero, 86% envolveram homens e 14% mulheres. Já as mortes por acidentes se mantiveram estáveis, tendo 2015 registrado o mesmo número do que em 2014: 49.

O relatório foi confeccionado por Filipe de Freitas Gonçalves. A seguir, confira mais números divulgados pela instituição.

Outros números

Morte natural: 8

Morte natural indeterminada: 1

Colisão/capotamento: 42

Atropelamento: 7

Acidente/queda: 2

Acidente/asfixia: 1

Acidente/afogamento: 8

Acidente/Eletroplessão: 1

Acidente/Intoxicação: 3

Homicídio/arma de fogo: 11

Homicídio/asfixia: 2

Homicídio/arma branca: 7

Homicídio/instrumento cortante: 2

Suicídio/arma de fogo: 2

Suicídio/intoxicação: 2

Suicídio/enforcamento: 16

Suicídio/arma branca: 0