Um dos assuntos mais falados da semana, que gera preocupação – especialmente aos pais – é o número de casos de Meningite registrados em Santa Catarina. Até o momento, 19 – do tipo meningocócica - já foram confirmados pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina, destes ainda não estão contabilizados os casos virais da doença, nem de outras subtipagens da bactéria. Três mortes também já foram confirmadas no estado, segundo a Dive.

Apesar dos números, a secretaria Estadual de Saúde afirma que não há surto da doença. Os 19 casos confirmados – que já incluem as mortes – são do tipo C, causados pela bactéria Neisseria Meningitides, o tipo mais grave da doença. Além destes, também há um caso confirmado em Imbituba, porém por outra bactéria (Streptococcus Pneumoniae). E há, ainda, o tipo viral da doença – que seria a forma mais amena, porém, dependendo da idade e imunidade, pode trazer sérios danos. Foi o caso do pequeno Joaquim, de Meleiro, que com pouco mais de um mês de vida, pegou a doença e sofreu sequelas graves.

Segundo a mãe, Cristina da Silva Gonçalves, o menino começou a ter alguns episódios de vômito, febre e irritação. “Levamos ao hospital da cidade e disseram ser uma virose. Após quatro dias consecutivos com os mesmos sintomas, levamos ao Hospital Materno Infantil de Criciúma, chegou apresentando crises convulsivas devido a febre. O médico logo colocou em isolamento por suspeita de meningite devido ao agravamento do quadro. E de imediato já me colocou o possível diagnóstico. Meningite viral”, explica.

Ela fala sobre como eles receberam o diagnóstico. “Quando ele nos falou sobre os resultados dos exames que deram a meningite viral, ficamos aflitos, o nome em si dessa doença nos assusta. Porém, ele nos acalmou explicando que a meningite viral era um tipo mais comum e com fácil tratamento. Precisamos ficar em isolamento de qualquer tipo de contato, devido a imunidade dele estar muito baixa. E observar se mais alguém da nossa família iria desenvolver algum tipo de sintoma decorrente ao contato com ele”, afirma.

Apesar de, geralmente, ser um tipo inofensivo, no caso de Joaquim – pelo diagnóstico tardio e pela baixa imunidade – uma série de complicações foi acontecendo. “Ele recebeu alta da primeira internação com medicação para crises convulsivas que desenvolveu por conta do quadro avançado. Após um mês em casa, desenvolveu crescimento anormal do perímetro cefálico, sendo diagnosticado com Hidrocefalia”.

Hoje, com seis meses, Joaquim encontra-se em recuperação. Passou por cinco cirurgias, teve um AVC, hemorragia cerebral, perdeu visão e audição, juntamente com os movimentos do corpo após o AVC. Ele se alimenta através de sonda, faz uso de medicamentos para controle das crises convulsivas e tem acompanhamento médico, fisioterapêutico e fonoaudiólogo semanais. “A princípio o diagnóstico era claro ele não enxergaria, não escutaria e nem se movimentaria, iria ficar em estado vegetativo. Pensaram em declarar morte encefálica, porém a recuperação dele é inexplicável diante da ciência. Está voltando a enxergar aos poucos, a audição voltou totalmente. E as pernas e braços estão voltando a se movimentar. Os médicos dizem que ele teve uma lesão cerebral muito grande, porém não me falam mais em sequelas devido a recuperação dele. Eles não conseguem me afirmar o que atingiu. Somente com o tempo, mas acreditamos muito na vitória dele. Deus sempre esteve conosco e nos amparou até agora”, conta Cristina.

Para os pais, ela deixa um aleta. “O apelo que eu deixo a todos os pais é que cuidem dos seus filhos, sejam chatos quanto a visitas, Joaquim foi contaminado por alguma visita que não desenvolveu os sintomas por ter a imunidade mais resistente. Joaquim tinha somente um mês, era recém-nascido. Por isso, o meu conselho é não temam em dizer não para uma visita, comprem álcool em gel e deixem sempre perto do seu filho. E para as pessoas que acham que é frescura, gostaria de que com esse alerta vocês tenham empatia e acatem o cuidado dos pais. São cuidados pequenos que podem salvar a vida de uma criança. Não julguem, as noites em um hospital são dolorosas, intermináveis, cansativas. E muitas vezes você escuta que pode voltar com seus braços vazios para a casa”, finaliza.

Sobre a doença

Segundo o Ministério da Saúde, a meningite é um processo inflamatório das meninges, membranas que envolvem o cérebro e a medula espinhal. Pode ser causada por diversos agentes infecciosos, ou também por processos não infecciosos como, por exemplo, medicamentos e neoplasias.

Entre os agentes infecciosos, as meningites bacterianas e virais são as mais importantes do ponto de vista da saúde pública e clinico, devido a sua magnitude, capacidade de causar surtos e, no caso da meningite bacteriana, a gravidade.

No Brasil, a meningite é considerada uma doença endêmica, deste modo, casos da doença são esperados ao longo de todo o ano, com a ocorrência de surtos e epidemias ocasionais. A ocorrência das meningites bacterianas é mais comum no outono-inverno, e das virais na primavera-verão. Para saber mais sobre sintomas, tratamento e formas de contágio, clique aqui

Casos no Estado:

Blumenau (2)

Turvo (1)

Itapema (1)

Navegantes (1)

São Francisco do Sul (1)

Balneário Camboriú (1)

Garopaba (1)

Itajaí (1)

Lages (1)

Itapema (1)

Porto União (1)

Jaraguá do Sul (1)

Fraiburgo (1)

Criciúma (1)

Itajaí (1)

Bombinhas (1)

Palhoça (1)

Imbituba (1)

Mortes por meningite bacteriana, causada pela bactéria Neisseria meningitidis:

Mulher, 18 anos, residente em Lages

Bebê, 9 meses, residente em Jaraguá do Sul

Mulher, 12 anos, residente em Imbituba.

Fonte: ND Mais