Paulo Ricardo Maciel era um daqueles jovens sonhadores, que queria dedicar parte da sua vida a ajudar aqueles que precisavam. O tempo passou, veio o casamento, filhos, uma rotina intensa de trabalho como eletricista e o plano de um projeto beneficente foi ficando para segundo plano. Em todos esses anos, Paulo nunca soube o que fazer para ajudar, mas carregava consigo o componente principal, a força de vontade.

Há três anos, ele conheceu Maria Nelma Costa Gomes. Professora aposentada e portadora de poliomielite - doença também conhecida como paralisia infantil - desde um ano de idade. Ao acompanha-la na Associação Vida Ativa São José de Criciúma - grupo para orientar pacientes com lesões na coluna vertebral, começou a conviver com portadores de deficiência e se envolveu com a causa. Para ajudar, fazia pequenos reparos nas cadeiras de rodas de alguns amigos. “No início parecia ser o suficiente, mas me deparei com uma situação bem difícil que me fez mudar. Era uma mãe de três filhos em uma cadeira de rodas ganhando apenas um salário de R$ 800. Ela precisava de dois pneus novos que custaram, na época, R$ 500. Isso me fez pensar e mostrou o que eu precisava para criar o meu projeto”, salienta.

O projeto Nova Vida tem um ano de história. Sem fins lucrativos, Paulo restaura cadeiras e andadores. A ideia inicial era fazer um banco de peças e doar através da internet, mas a procura regional foi aumentando cada vez mais. E foi assim que o Nova Vida começou a realizar doações e empréstimos para quem precisa. “Eu vejo o sofrimento de muitas pessoas. Muitas delas não têm condições de comprar uma cadeira. Vale lembrar que estas mesmas pessoas já estão numa situação delicada e possuem uma série de limitações. É uma causa nobre e é muito importante”. Paulo conta que o pouco que ganha, ainda investe no trabalho. Quando os gastos são altos, ele arrecada dinheiro promovendo rifas e almoços.

Para conseguir dar continuidade ao projeto, a Nova Vida depende da ajuda de muita gente. “Além de precisar das doações de cadeiras, algumas lojas me apoiam dando materiais ou até mesmo a mão de obra. Mas eu também preciso de peças novas e elas são muito caras. Alguns concertos chegam a atingir o valor de R$ 1 mil”.

“Peço por doações de cadeiras, pode ser qualquer uma. Mesmo as ruins servem, pois é possível tirar algumas peças e colocar em outras. Cadeira de rodas é uma coisa muita especifica, tudo depende da lesão, peso, altura e idade. Eu queria poder ter centenas de cadeiras aqui, porque se você tem várias delas, você não diz “não" para as pessoas. Me deixa chateado ter diariamente pessoas aqui e ter que negar, me machuca".

Paulo transformou sua casa em uma oficina, é possível ver cadeiras na garagem, sala, quarto de hóspedes, lavanderia. Para ele também seria essencial um lugar adequado para realizar os concertos. “Falta no meu projeto uma sede para eu trabalhar. Meu quarto de hóspede virou um depósito de cadeiras, é impossível receber visitas. Minha área de serviço virou minha oficina e existem cadeiras por toda minha casa”.
Para quem quiser ajudar o projeto nesta jornada, basta ligar para o telefone (48) 99817-4545 ou procurar o perfil Nova Vida Araranguá Revitalizações no Facebook.