Os vereadores sombrienses Nego Gomes (MDB), Carlinhos Gomes (MDB), Som da Garuva (MDB), Janguinha Duarte (MDB) e Daniel Palito (PSB), conseguiram ontem uma importante vitória junto ao Tribunal Regional Eleitoral, através do desembargador Ricardo Roesler.

Todos tiveram seus mandatos cassados no início de agosto pelo Pleno do TRE, que atendeu denúncia do Ministério Público Eleitoral. De acordo com a denúncia, baseada em ação movida pela coligação Sombrio para as pessoas (PP/ PSD/ PT/PPS/PROS/SD), a chapa proporcional encabeçada por PMDB e PSB, fraudou sua nominata de candidatos a vereadores na eleição de 2016. A denúncia dava conta de que as sete mulheres, que compunham esta coligação, não haviam sido efetivamente candidatas, tendo, meramente, emprestado seus nomes para que fossem cumpridos requisitos legais junto à Justiça Eleitoral.

A atual legislação prevê que 30% dos candidatos a vereador, ou a deputado, sejam mulheres. No caso de Sombrio, a coligação encabeçada pelo PP acusou a coligação adversária de ter preenchido as vagas de candidaturas do sexo feminino com mulheres que efetivamente não disputaram a eleição.

Os vereadores cassados vinham recorrendo da decisão do TRE que os cassou junto ao Tribunal Superior Eleitoral. Por conta de toda a burocracia que envolve uma situação como esta, o afastamento deles ainda não havia se confirmado, mas seria apenas uma questão de tempo. Para a sorte dos cinco, o desembargador Ricardo Roesler concedeu efeito suspensivo da sentença, até que o mérito seja julgado em Brasília.

Na prática, os vereadores não correm o risco eminente de ter que deixar o legislativo. Se o efeito suspensivo não for derrubado por alguma outra ação proposta pelo Ministério Público Eleitoral, ou pela oposição, o que definirá o futuro deles será o julgamento no TSE, que, sabe-se lá, quando acontecerá.

Notas

Sul do Estado não reelegeu três deputados estaduais. Ficaram no caminho Cleiton Salvaro (PSB), Valmir Comin (PP) e Dóia Guglielmi (PSDB), que era suplente, mas assumiu a Assembleia Legislativa em diversos momentos durante o atual mandato. Foram eleitos, Júlio Garcia (PSD), Felipe Estevam (PSL), Jessé Lopes (PSL), Volnei Weber (MDB), José Milton Scheffer (PP), Ada de Luca (MDB) e Luiz Fernando Vampiro (MDB), oito no total.

Presidenciável Jair Bolsonaro (PSL) disse que não vai apoiar nem fulano, nem beltrano, na disputa pelo Governo do Estado em Santa Catarina. Em entrevista a Jovem Pan, ele ressaltou que respeita a candidatura do “Comandante”, mas, mesmo assim, não tomará partido. “Santa Catarina foi o Estado onde eu tive a maior votação (proporcional). Se eu assumir com um lado, vou ter problema com o outro”, ressaltou. Por óbvio, Comandante Moisés, candidato do PSL de Bolsonaro ao governo, não ficou nenhum pouco satisfeito com a declaração, ao contrário de Gelson Merisio (PSD), seu adversário no segundo turno deste pleito eleitoral.

Coisas incríveis aconteceram no primeiro turno da eleição estadual. Candidato ao Senado, Esperidião Amin (PP) ficou atrás de Lucas Esmeraldino (PSL) em Florianópolis. Disputando o governo, Mauro Mariani (MDB) ficou atrás de Comandante Moisés (PSL) e de Gelson Merisio (PSD) em Joinville. Também na disputa pelo Senado, Paulo Bauer (PSDB) ficou atrás de Esmeraldino e Amin em Jaraguá do Sul, sua base eleitoral.

Fato bastante interessante está acontecendo no pós-eleição. Mesmo os cabos eleitorais de políticos tradicionais, que em grande maioria se deram mal nas urnas, têm me dito que o povo está certo em querer mudar. Alguns destes cabos, aliás, estão a mercê de perder seus empregos em gabinetes, já que seus chefes não foram reeleitos. Ainda assim, parece haver uma espécie de consciência coletiva, dando conta de que as coisas no Brasil haviam perdido as estribeiras. Ou seja, até quem estava comendo de colher grande parece ter noção de que a comida é demais.