Inaugurada com estrondo pela prefeitura de Araranguá em setembro de 2015, a Academia de Saúde do bairro Jardim das Avenidas segue desde então praticamente sem uso e recebe agora um novo nome: elefante branco. O apelido dado pelos moradores locais, serve para criticar o mau uso do dinheiro público, já que desde que foi inaugurado, o empreendimento praticamente não teve utilidade. A área construída da Academia de Saúde é de 105 m² e o valor da obra totaliza R$ 237.549,18, sendo R$ 180 mil de recursos provenientes do Ministério da Saúde e o restante, R$ 57.549,18, contrapartida do município.

O programa Academia da Saúde, do governo federal, é uma estratégia de promoção da saúde e produção do cuidado que funciona com a implantação de espaços públicos conhecidos como polos do Programa Academia da Saúde. Esses polos deveriam ser dotados de infraestrutura, equipamentos e profissionais qualificados. No entanto, em Araranguá, segundo denunciam os moradores que vivem na comunidade, desde que a obra foi entregue poucas vezes o local foi visto aberto. “É uma obra que até o momento não demonstrou sua utilidade. No ano passado, apenas uma vez na semana víamos uma pequena movimentação de idosos no local, mas a comunidade mesmo nunca conseguiu entender o motivo da Academia que possui apenas dois banheiros, salas vazias e pouquíssimo equipamentos ao ar livre” denuncia Isolete Rodrigues, moradora do bairro Jardim das Avenidas.

Moradores cobram abertura

O aposentado João Alberto Soares, de 69 anos, morador do bairro Caverazinho também protesta contra o mau uso do dinheiro público. Segundo ele, o valor investido poderia ser revertido em sessões de fisioterapia para atenuar o sofrimento de idosos como ele, que dependem do SUS para receber tratamento. “Esse elefante branco é uma obra que nunca foi utilizada pela comunidade. É tudo faz de conta. Vieram, cortaram a fita, inauguraram a obra, foram embora e desde então nunca mais teve utilidade para a população. Depois que trocou a administração da prefeitura, nunca mais vimos está academia de portas abertas. Profissionais qualificados onde? Só promessa ou piada de mau gosto? ” relata indignado.

Cadê o dinheiro que estava aqui?

Os moradores também questionam sobre o repasse do custeio para as atividades do programa. Os valores que podem chegar a R$ 40 mil por ano são provenientes do Ministério da Saúde e destinam-se ao pagamento das despesas correntes, ou seja, aquelas que não contribuem, diretamente, para formação ou aquisição de um bem de capital como capacitação, pagamento de profissionais, aquisição de material de consumo, entre outros. “Além do valor da obra existe um valor para manter essa academia e o que está sendo feito com esse valor? Para onde está sendo destinados os recursos? ” questiona o empresário Ari Medeiros Roldão, do bairro Jardim das Avenidas.

Sem previsão

Em entrevista exclusiva à Revista W3, a secretária municipal de Saúde, Evelyn Elias, diz estar buscando uma solução para o impasse. Segundo ela, há planos para incluir inclusive o serviço de fisioterapia no local, entretanto não há previsão para reabertura da Academia. Alegando escassez de recursos para manter o programa, a secretária afirmou que é preciso ter cautela e aguardar. “Estamos há apenas quatro meses no governo e colocando a casa em ordem. Definimos algumas prioridades como atenção básica e farmácia municipal, mas muito em breve dedicaremos nossos esforços a reabrir a Academia” concluiu.

Fonte: Fotos: Henrique Brasil