Afastada da presidência pelo prazo inicial de 180 dias a presidente Dilma Rousseff. A decisão partiu do Senado Federal, que por 55 votos favoráveis e 22 contrários ao impeachment, decidiu afastar a presidente eleita pelo voto popular, 24 anos após a queda de Fernando Collor de Mello. Com o afastamento da primeira mulher eleita presidente no Brasil, ocorre a interrupção de um ciclo de 13,5 anos do PT – Partido dos Trabalhadores no poder da República.

Após a saída de Dilma, que deve acontecer hoje, o poder presidencial passa às mãos do vice presidente Michel Temer (PMDB), que tem como principais desafios a retomada da economia e a pacificação política do país. Se após os 180 dias de afastamento, o Senado decidir pelo afastamento definitivo da presidente Dilma, Temer será cristalizado como o novo presidente da República do Brasil. Não há no novo governo de Temer a presença de nenhuma mulher ou negro entre os novos ministros. A sessão do Senado que decidiu pelo afastamento durou mais de 20 horas, e encerrou hoje, 12, às 6h33.

No Vale, decisão foi comemorada

Foto: Renan de Bom

Com uma base claramente anti-petista, o Vale do Araranguá recebeu bem a notícia do afastamento da presidente Dilma Rousseff. Para o empresário Renan de Bom, que diz opinar de forma apolítica e como cidadão, o afastamento de Dilma é apenas o começo: “Esse é o início da mudança, da tão sonhada reforma política. Acredito na legalidade das ações do MP e PF, que deve seguir deu belo trabalho, e devemos lutar pelo fim do foro privilegiado”. Lembrando que a corrupção começa nas camadas mais baixas da sociedade, Renan afirma que a luta contra a corrupção deve continuar, e o povo deve refletir para escolher melhor seus governantes: “O povo na rua de maneira ordeira tem poder, sim!”.

A advogada Andresa Vitorino Ribeiro acordou otimista: “Acordamos num novo Brasil, que faz renascer a esperança em um país decente. O resultado de ontem mostrou que nossas instituições estão fortalecidas, onde nem a chefe maior de Estado está imune à aplicação das leis”. Para ela, apesar da presença do povo nas ruas ter significado de vitória, é preciso não se acomodar: “Estamos alertas, e se preciso for, voltaremos às ruas. A democracia é um exercício diário e não se restringe ao depósito dos votos nas urnas”, opina.

Foto: Andressa Vitorino Ribeiro / Beto Sasso

O empresário Beto Sasso também gostou da decisão, mas alertas para a continuidade do marasmo político que o país atravessa: “Independente da má gestão da Dilma, nos últimos meses, nada de concreto aconteceu em relação à gestão pública federal. Ficaram apenas na guerra contra o impeachment. Precisamos voltar a crescer, somos um país com potencial. Voltamos a ter esperança”, finalizou.