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O suicídio é um fenômeno complexo. Não escolhe idade, cor, raça, religião. Nem condição econômica. É um ato intencional de matar a si próprio. De acordo com a organização mundial da saúde (OMS), é a segunda causa de morte nos jovens entre 15 e 29 anos.

Patrícia Pereira Américo, de 26 anos, conseguiu sair das estatísticas, mas ficou em depressão por seis anos. Por pouco não tirou a própria vida.

“Eu descobri que estava em depressão após perder minha mãe. No início achei que era um momento de tristeza, mas, aquilo foi aumentando, eu não dormia mais, ficava presa dentro de um quarto, chorava muito, não cuidava mais de mim, perdi a vontade de vive. No ano de 2018 eu tentei suicídio”, detalhou Patrícia.

Um caso de sáude pública

Na maioria das vezes as vítimas obtêm êxito, consumando o suicídio. O tema se tornou um problema de saúde pública. A cada 45 segundos, uma pessoa tira a própria vida no mundo.

Estimasse que 800 mil pessoas vão a óbito todos os anos. De acordo com a psicóloga Cintia Pereira de Macedo, os fatores que levam uma pessoa a cometer o ato podem ser os mais diversos.

“O que leva ou ocasiona o suicídio normalmente são situações como separação, divórcio, luto recente, solidão, desemprego, mudança recente de trabalho, dificuldade na escola, doença grave ou crônica, dependência de droga ou álcool podem resultar em uma resposta negativa e levar ao suicídio. Mas também, a pessoa pode ter uma predisposição, diante de algum evento isso pode vir à tona” explicou a psicóloga.

O pensamento de morte, segundo a psicóloga se distingue da ideação suicida.

“O pensamento de morte é o mais comum no qual as pessoas pensam que poderiam morrer ou eu quero morrer. Já a ideação suicida ela é ou pouco mais grave. A pessoa pensa: Eu quero me matar! E essa dor vem acompanhada dos três “i”, que são o impossível, insuportável e interminável. Esse quadro é uma distorção de percepção da realidade e somado ao isolamento e a desintegração social de não pertencimento, faz com que a pessoa tenha o ato de tirar a própria vida como uma segunda opção”

Para isso é importante observar os sinais que uma pessoa depressiva emite, e tomar alguns cuidados no como, e o que falar.

“É possível perceber alguns sinais como isolamento e a falta de planejamento do futuro. É sempre importante se aproximar dessa pessoa. Ser acolhedor. Ouvir sem julgar. O diálogo e a transparência são elemento fundamentais para prevenção do suicídio. Frases do tipo: ‘isso não é nada, pense positivo, sua vida é melhor do que de muita gente’. Essas expressões não ajudam em nada e podem ter um efeito devastador”, alerta a profissional.

O CVV

Trabalhando na prevenção, como uma rede de apoio gratuita, está o Centro de Valorização da Vida (CVV). Pelo número gratuito 188, ou pela internet, pessoas que precisam de ajuda acabam encontrando um ombro amigo para desabafar.

São 3.600 voluntários nos 112 postos de atendimento espalhados em todo território nacional. Em criciúma o CVV atende também, na rua Pedro Benedetti, número 46, nas salas 318 e 321.

A coordenadora do grupo de sobreviventes do suicídio (GASS) e porta voz do CVV, Margarida Teixeira, lembra que é importante oferecer também, auxílio para as famílias que acabam partilhando da dor e sofrimento de seus entes.

“Esse grupo se reuni na última quarta-feira de cada mês, sempre as 19h, com as pessoas que perderam alguém por suicídio, a família que fica em sofrimento e também, as pessoas que tentaram tirar a vida”, disse a Coordenadora do GASS.

O CAPS

Reforçando a prevenção do suicídio está o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS). Em Araranguá, o órgão fica anexo ao hospital bom pastor funcionando das 8h às 17h. Mas a coordenadora Fabiane Damaceno explica que em casos de emergência outros lugares devem ser procurados na cidade.

“Não trabalhamos com emergência, então se a pessoa está com muita ideação e tentativas de suicídio deve ser levada para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) ou para o Hospital Regional de Araranguá. Agora se estiver sinalizando que não está bem, pedimos que procure o posto de saúde local ou CAPS”, informou, Fabiane.

A fé 

Seja qual for a forma, a ajuda deve vir sempre despida de preconceito. A Patrícia que apareceu no início da reportagem, por exemplo, conseguiu vencer a depressão e o suicídio através da fé.

“A depressão tem cura e eu fui curada por Deus. Ele é o Deus do impossível. Quem está no quadro depressivo pensa que não vai conseguir, mas, com Deus tudo é possível.

Para o professor de filosofia e pastor protestante, Cladimir Geraldo da Silva, o combate a depressão e ao suicídio, pode encontrar forças nos pressupostos cristãos como o amor, a fé e sobretudo a esperança.

“Não é verdade que só enxergamos uma pequena parte da vida? É a falta de esperança que desestabiliza nossas referências! ficamos com nossa fé abalada e a alma vai adoecendo. Mensagem do evangelho é uma jornada pessoal com Jesus. Ele disse: “Vinde a mim todos que estão cansados e sobrecarregados e eu vos aliviarei”. Essa é a esperança que nos faz sorrir e seguir com mais leveza na vida”, ilustrou o pastor citando o livro bíblico de Mateus 11:28.