Em uma busca no portal da transparência do Tribunal de Justiça de Santa Catarina, os números impressionam. De janeiro de 2018 até o mês junho de 2019 o governo gastou mais de R$ 1 bilhão para custear a folha de pagamento dos 13 mil servidores distribuídos nas 111 comarcas do Estado, mais o prédio do Tribunal em Florianópolis.

Rainha Elizabeth II e o príncipe Philip conhecendo o neto Archie — Foto: Reprodução/InstagramCaption

O custo é quatro vezes maior quando comparado com o gasto da Inglaterra com os deleites da Família Real britânica, que fechou o ano fiscal (2018-2019), em R$ 256 milhões. Os valores foram apurados e divulgados pelo G1 no dia 25 de junho desse ano.

Os maiores salários são dos 550 magistrados catarinenses. Os rendimentos generosos de 456 juízes vão de R$ 33.321,20 a R$ 86.264,56, já incluídos benefícios e gratificações.

Para o juiz da Comarca de Turvo, Manoel Donisete de Souza, os custos do Tribunal estão dentro da lei, e abaixo do necessário. Ele defende, inclusive, mais contrações de servidores para suprir as demandas no setor.

“Devo ser sincero, sobre essa equivocada ideia, de que o poder judiciário custa caro para a sociedade. Pelo menos no caso do Judiciário Catarinense, estamos rigorosamente dentro dos limites de reponsabilidade fiscal e não existem excessos. Temos na verdade é um déficit de pessoal para atender as demandas das comarcas”, explicou o magistrado.

Juiz da Comarca de Turvo, Manoel Donisete de Souza — Foto: Anderson Machado

O Juiz aposentado, Fernando Cordioli, defende como sendo justas as renumerações pagas pelo Estado de Santa Catarina. Porém, faz uma crítica a vícios e maus investimentos realizados na operacionalização do TJSC.

“O problema do TJSC é a cultura do ‘mais do mesmo’, a cultura estamental, do 'eu posso e mando porque tenho sangue azul', que se fosse abolida, poderia ajudar o Poder Executivo a pôr um pouco mais de dinheiro no SUS, deficitário, por exemplo. O que se insistiu jogar de dinheiro fora, sem transparência, recentemente, com Sistema de Automação da Justiça (SAJ), por exemplo, daria para pagar muita cirurgia atrasada nos hospitais públicos e evitar muitas mortes", alertou Cordioli.

Juiz aposentado, Fernando Cordioli — Foto: Reprodução/Facebook