Há 30 dias no cargo como diretor de Indústria e Comércio de Araranguá, Fabricio dos Santos Segundo, de 20 anos, foi sabatinado por dezenas de empresários na noite desta segunda-feira, 8, no auditório da ACIVA.

A nomeação de Fabricio aconteceu em meio a polêmicas e críticas, sobretudo vindas do setor comercial e industrial, dado a falta de experiência e pouca afinidade com os setores que se propunha representar.

Quando perguntado pelos empresários o que tinha de prioridade na sua pasta, respondeu em um discurso longo e contínuo que uma das suas prioridades é o combate às dezenas de comerciantes ilegais que trabalham nas ruas.

“Eu vejo muita gente que não contribui, ocupando ruas, calçadas e prejudicando a circulação de pedestres. Acredito que isso é injusto porque o comerciante paga os seus impostos e, de repente, se depara com um ambulante em frente ao seu ponto de venda. Quero regularizar isso”, revelou o diretor.

A declaração teve reação imediata da classe empresarial, que questionou o jovem diretor, sobre a irrelevância do assunto para indústria e comércio e por se tratar de outro setor, o de fiscalização. Um dos argumentos dos empresários presentes na reunião, é de que, somente o grupo presente gera mais de 500 empregos formais na cidade.  

“Concordo em partes. Porque acredito que isso diz respeito, além do setor de fiscalização, à minha pasta. Estamos realizando estudos e levantamentos sobre o comércio ambulante ilegal. A ideia é realizar um cadastro e apresentar saídas, como as possibilidades e sugestões de créditos para expansão do negócio desse ambulante”, falou Fabricio.

Os empresários presentes na reunião pediram ações imediatas e concretas de propostas que venham fomentar e incentivar a geração de emprego e renda, sobretudo, o empreendedorismo na cidade que está defasado.

A classe empresarial lembrou ao diretor, que diferente de outras cidades que possuem mais de um parque industrial, Araranguá tem apenas um e está esquecido pelo poder público. Um terreno, que fica atrás do parque, já foi declarado de utilidade pública, mas, nada foi feito até o momento. A ACIVA vem cobrando uma iniciativa, por parte do poder público com políticas de incentivos para o local.

Um empresário, que não quis revelar o nome, disse que nunca foi visitado pelo setor de indústria e comércio. A empresa dele gera dezenas de empregos diretos em uma planta instalada no Distrito Industrial de Araranguá. Ele reclamou, afirmando que o poder executivo está muito distante dos anseios da classe empreendedora.

O diretor, que é subordinado a Secretaria de Planejamento Industria e Comércio da Prefeitura, prometeu retornar ao auditório da ACIVA no prazo de 60 dias.

Ambulante assustado

Por volta das 10h40 desta terça-feira, 9, a temperatura marcava 13°C no Calçadão, região central de Araranguá. O único ambulante que se arriscava em enfrentar o frio, para tentar vender seus produtos, estava em frente a uma relojoaria.

Paulo Cezar da Rosa, 61 anos, mora em Balneário Arroio do Silva, mas, se desloca para Araranguá sempre que pode para comercializar seu artesanato em madeira. Ele ficou assustado em saber que seu negócio pode estar com os dias contados.

“Eu acho isso um absurdo e injusto, pois na minha idade, não consigo mais emprego. Minha profissão de tipógrafo foi extinta, não tenho mais idade para trabalho formal e somado a isso, o país atravessa uma crise. Sobrou o artesanato para sobreviver e sustentar minha família. A renda aqui é pouca”, disse o ambulante gaúcho que vive há 30 anos em Santa Catarina.