O azulejista, Alcir Machado de Vargas, de 39 anos, está em Araranguá faz oito meses. Foi contratado para trabalhar nas obras de um dos prédios mais caros já erguido na região central da cidade. Há 45 dias, estava no fim do expediente vespertino, quando se deparou com um adolescente tentando se jogar do quinto andar.

“Eu trabalhava no 10º andar quando um colega, que estava na rua, viu o rapaz andando no parapeito do prédio, e me ligou. Desci às pressas. Ao chegar no quinto andar me deparei com aquele jovem. Pude observar no semblante dele uma pessoa triste, desorientada e decepcionada com a vida”, revelou Alcir.

Diante da cena inusitada e jamais vivida nos 24 anos de serviços na construção civil, Alcir encontrou palavras de motivação para que o adolescente desistisse do plano de suicídio.

“Melhor você descer, porque na altura que estamos não terás sucesso. Ao bater no chão ficará apenas machucado, com ossos quebrados, e não verás a morte. Provavelmente vai ficar em uma cama com dor e pensando no que fez”, falou operário.

Ainda de acordo com o relato, o adolescente ficou pensativo por um instante, mas, logo desistiu da ideia do suicídio e foi para dentro do prédio. Queria saber de Alcir onde era a saída.

Ao chegar no térreo a PM e os socorristas dos bombeiros já estavam aguardando. De acordo com informações o adolescente tem os pais separados. Ele vive com a mãe na cidade de Araranguá. Já o pai mora em Brasília. O rapaz reclamou da falta de atenção no ceio familiar.

O adolescente foi encaminhado para o Hospital Regional onde foi medicado.

Remédio para combater o suicídio está no diálogo

A afirmação é da Psicóloga Cintia Pereira de Macedo, de 32 anos. Ela lembra que a cada 40 segundos acontece uma tentativa de suicídio sobretudo no público jovem, em sua grande maioria do sexo masculino.

“Os fatores que levam uma pessoa a cometer o suicídio podem ser os mais variados. O indivíduo não consegue lidar com uma situação e fica diante da aparente incapacidade de resolver um conflito. Neste estágio chega à conclusão que precisa dar um fim no sofrimento por meio do suicídio”, explica Cintia.

Ainda de acordo com a psicóloga, o suicídio pode ser um ato impulsivo ou planejado e que normalmente começa com a idealização suicida. Por isso é importante ficar em alerta.

“A pessoa sempre apresenta sinais que deseja ou irá cometer tentado contra a própria vida. Frases como: Eu quero morrer ou se eu morrer ninguém vai notar, são sinais claros que essa pessoa precisa urgentemente de um acompanhamento ou ajuda”, alerta.

Cintia lembra ainda, que a pessoa que já tentou o suicídio uma vez, poderá vir investir na ideia novamente, principalmente, se não haver um acompanhamento psicológico adequado.