presidente Michel Temer passou a presidência temporariamente para a presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Cármen Lúcia, no final da manhã desta sexta-feira (13), antes de embarcar em viagem oficial para o Peru. Com isso, ela será a presidente da República em exercício até sábado (14), quando Temer retorna ao país. A transmissão do cargo ocorreu na base aérea de Brasília.

Temer vai participar da 8ª Cúpula das Américas, que reúne os líderes do continente. Antes de Cármen Lúcia, a linha sucessória tem os presidentes da Câmara e do Senado. No entanto, o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ) e o senador Eunício Oliveira (MDB-CE) também estão em viagem.

Na agenda de Cármen como presidente da República estão previstas algumas audiências no Palácio do Planalto. Entre as autoridades que ela vai receber estão: a adovgada-geral da União, Grace Mendonça; o ministro da Defesa, general Joaquim Silva e Luna; o senador Valdir Raupp (MDB-RO) e o governador de Rondônia, Daniel Pereira.

A última vez que o presidente do Supremo assumiu o exercício da presidência da República foi em 2014, com o ministro Ricardo Lewandowski.

A cerimônia de abertura da 8ª Cupula das Américas está prevista para a tarde desta sexta (13). Antes da cúpula, a agenda de Temer prevê encontros em Lima com o presidente da Câmara de Comércio dos Estados Unidos, Thomas Donohue, e com o presidente de Honduras, Orlando Hernández Alvarado. Temer também dará uma entrevista à rede de TV CNN en Español.

Depois da abertura oficial do evento, será oferecido um jantar aos chefes de Estado ou governo. Já a sessão plenária do encontro ocorre no sábado (14).

É a primeira vez que ele vai à cúpula como presidente. Na última edição, em 2015, no Panamá, ele ainda era vice.

Combate à corrupção

De acordo com o Ministério das Relações Exteriores (MRE), a 8ª Cúpula das Américas reúne os líderes do continente “para discutir temas de interesse comum e assumir compromissos e ações concertadas, com vistas à superação dos desafios enfrentados pelos países das Américas”.

O tema do encontro é “governabilidade democrática frente à corrupção”. Segundo o MRE, uma das intenções do evento é definir um documento com o compromisso dos chefes de Estado e de governo para “incrementar a cooperação hemisférica na prevenção e combate à corrupção”.

O evento ocorre três semanas após a renúncia de Pedro Pablo Kuczynski da presidência do Peru, desgastado por suspeitas relacionadas à construtora brasileira Odebrecht. Em seu lugar assumiu Martín Vizcarra, um engenheiro civil de 55 anos, que era vice-presidente.

No discurso após tomar posse, no dia 23 de março, Vizcarra abordou a questão da corrupção generalizada. Ele pediu que seu governo inicie uma "refundação institucional do país onde a democracia e o respeito pelo país sejam bandeiras".

Conhecido como PPK, o antigo presidente deixou o poder após 1 ano e 7 meses de governo, na véspera de o Congresso discutir sua destituição. A renúncia foi acelerada pela divulgação de vídeos, insinuando que o governo tentava comprar votos de congressistas para evitar a queda.

Fonte: Guilherme Mazui, G1, Brasília