Foto: Willian Sampaio/Arquivo Pessoal.

Uma liminar do TJSC – Tribunal de Justiça de Santa Catarina que suspende o curso de formação para novos policiais foi cumprida na última quarta-feira, 01, pelo comando da Polícia Militar do Estado.

Segundo a denúncia, 53 candidatos estão sob suspeita por terem apresentado diplomas falsificados para comprovar o grau de escolaridade, cuja exigência é o ensino superior. No processo com mais de 600 páginas cuja denúncia foi acatada e culminou na decisão de suspensão do curso pelo desembargador Luiz Zanelato, foi apontado que a maior parte dos diplomas suspeitos foram emitidos por três faculdades nos períodos de janeiro a julho do ano passado, no curso de Teologia do Centro Universitário Cesumar (Unicesumar), de Maringá, PR, também de Teologia pela Faculdade de Teologia Integrada (Fatin), PE, e Tecnologia em Gestão Pública na Faculdade Darwin (DF). A maioria dos alunos com diplomas sob suspeita possuem domicílio no Oeste do Estado.

Fortes suspeitas

Apesar de terem registro do MEC que comprovam uma possível veracidade dos diplomas, a suspeita foi levantada pelo fato de que os 53 aprovados do concurso da PM sob suspeita apresentaram como comprovante de residência cidades em Santa Catarina, bem como Antecedentes Criminais nas cidades onde estiveram passando nos últimos cinco anos. Acontece que em todos os casos suspeitos, a modalidade de ensino é o presencial, e por isso, durante a vigência dos cursos, os portadores dos diplomas deveriam estar morando nas cidades onde estão instaladas as faculdades que emitiram os diplomas, o que, pelo visto, não aconteceu. Outro fator que reforça a suspeita é que na época em que os diplomas foram emitidos, nenhuma das faculdades oferecia os cursos inseridos nos diplomas dentro da modalidade Ensino à Distância (EaD), já que nenhuma delas teria autorização para prestar os cursos à distância, segundo foi confirmado pelo próprio Ministério da Educação.

A suspensão do curso de formação de soldados repercutiu entre os aprovados fora da suspeita, que se manifestaram ontem, 02, na Capital. Eles somam 658 aprovados e aptos para a realização do curso e a consequente contratação nos quadros efetivos da PM no Estado.

Repercussão no Vale

A notícia recebeu repercussão não somente entre os integrantes do curso para soldados que estava em andamento e foi suspenso. Entre os 1.176 aprovados excedentes – entre eles, cerca de 180 são da região do Vale do Araranguá – a sensação é de esperança e indignação.

Apesar de terem cumprido todas as etapas para serem chamados para a formação de soldados da PM/SC, eles permanecem aguardando uma oportunidade, já que o Governo do Estado, apesar da ausência de efetivo, diz que não tem condições de chamar a todos os aprovados excedentes.

“Destes com problemas no diploma não conhecemos nenhum aqui da região”, afirma o morador de Araranguá, Ramon Zilli, 21, que faz parte da Comissão dos Excedentes do Concurso da PM em 2015, que apesar de lamentar o fato de que futuros policiais estejam sob suspeita em apresentarem diplomas falsos, admite que a situação possa beneficiar pelo menos 53 excedentes do concurso: “Sim, é uma boa oportunidade entre 53 excedentes, e o governo já podia falar sobre a entrada do restante”, avalia. Segundo Zilli, em conversas entre a Comissão dos Excedentes e o Secretário de Segurança Pública, César Augusto Grubba, novas informações vieram à tona: “O Grubba está aguardando o parecer da PGE – Procuradoria Geral do Estado para uma possível prorrogação da validade do Edital, e esta semana falou que o Governo quer, sim, nos chamar. Além disso conseguimos uma Audiência Pública na ALESC – Assembleia Legislativa de SC, no dia 28 de junho. De lá, deve sair uma resposta sobre a nossa situação”, finalizou.