A saúde pública na região vive um dos momentos mais delicados da sua história e está literalmente na UTI. A situação nos hospitais ditos pequenos e sediados nos municípios do interior é crítica e os gestores destas instituições já preveem demissões e não descartam fechar as portas.

Hospital Nossa Senhora de Fátima

A falta de repasse de recursos financeiros por parte do Governo do Estado é anunciado como principal motivo para a crise, já que em alguns casos, como o do Hospital Nossa Senhora de Fátima, em Praia Grande, o atraso no pagamento já está perto de completar cinco meses. “Recém ontem, na terça-feira, dia 16, é que recebemos as parcelas referentes aos meses de novembro e dezembro do ano passado. Ainda precisam ser pagas as parcelas referentes a todos os meses de 2016. Para realizar o pagamento dos funcionários, estamos tendo que fazer empréstimos e apelar para a comunidade,” explica Jean da Silva Gonçalves, administrador do Hospital em Praia Grande, onde 96% dos atendimentos são pelo Sistema Único de Saúde-SUS.

Corte das cirurgias eletivas

De acordo com o administrador, o atraso dos recursos aliado ao baixo valor da tabela SUS que não é reajustada há mais de 20 anos, tem afetado diretamente os serviços e a situação tende a piorar com o anúncio de que o Governo do Estado vai cancelar a realização de cirurgias eletivas, aquelas que são previamente agendadas por não serem consideradas urgentes. “Nosso hospital vinha realizando uma média de 60 cirurgias eletivas todo mês e garantindo assim recursos para continuar de portas abertas, pois em média recebemos de R$ 300 a R$ 500 por cirurgia realizada. Com o cancelamento das cirurgias, além da população ficar sem o serviço, haverá aumento de pacientes na fila de espera e teremos que demitir profissionais que trabalhavam neste setor,” desabafou Jean mostrando a situação preocupante que também é vivida pelos demais hospitais da região.

Ainda segundo ele, fica evidente que manter estes profissionais sem repasse de recursos do programa “mutirão de cirurgias” é totalmente inviável, pois muitos investimentos em recursos humanos e estruturais foram feitos. “Nós investimos no reaparelhamento do bloco cirúrgico e na contratação de profissionais para atuar neste mutirão de cirurgias que já vinha sendo realizado há dois anos. Com o cancelamento do serviço, ficaremos com a dívida e equipamentos novos parados, praticamente sem uso,”lamentou.

Dívida do Estado com São Judas Tadeu ultrapassa R$ 200 mil

Hospital São Judas Tadeu

Situação semelhante e também preocupante vive o Hospital São Judas Tadeu em Meleiro. A Instituição que já existe há mais de 60 anos é referência em cirurgias eletivas para o Extremo-Sul de Santa Catarina e foi o hospital de pequeno porte que mais realizou este tipo de procedimento. Segundo o presidente da associação que gere o HSJT, Osmar Minatto, desde 2011 centenas de cirurgias vinham sendo realizadas em parceria com o Governo do Estado através dos mutirões. “O São Judas foi o primeiro hospital a realizar estas cirurgias na região e investiu pesado em equipamentos de ponta para se adequar as exigências feitas na época. Nos últimos anos chegamos a realizar até 900 cirurgias, zerando a fila de espera em algumas especialidades. O anúncio de corte pegou todos de surpresa e já cogitamos demissões, pois além dos atrasos, é inviável manter estes profissionais parados,” lamentou.

Presidente Osmar Minatto

Minatto explica que o atraso nos repasses também está prejudicando o trabalho e interferindo até no pagamentos dos servidores. “Para bancar a última folha de pagamento fizemos um empréstimo de R$150 mil. Quanto ao futuro fica complicado arriscar um palpite, mas sem estas cirurgias as coisas tendem a piorar,”projetou.

Reunião vai apresentar novas alternativas ao problema

Acontece amanhã, na sede da ADR Araranguá, uma reunião entre gestores dos hospitais da região, secretários municipais e representantes da gerência de Saúde do Governo do Estado. Segundo Patrícia Paladini, gerente de Saúde da ADR Araranguá, durante o encontro será apresentada uma nova alternativa aos hospitais.

A ideia é manter as cirurgias, que seriam pagas com recursos dos municípios e realizadas com menor custo pelos hospitais de pequeno porte. A medida é para amenizar a situação provocada segundo a gerente, pelo corte de recursos do Governo Federal. “O programa de cirurgias eletivas foi criado pelo Ministério da Saúde que desde o ano passado cortou o repasse ao Estado. O Governo do Estado acabou não conseguindo manter os custos e teve que cancelar agora as cirurgias,” informou.

Em relação aos pagamentos atrasados, Patrícia disse que o secretário de Saúde João Paulo Kleinübing (PSD),assegurou que todos os pagamentos referentes à 2015 e referente aos meses de janeiro e fevereiro deste ano serão realizados até esta sexta-feira, dia 27.