Uma obra que mudou o cenário de tristeza de um dos bairros mais castigados pela violência em Araranguá e custou aos cofres públicos mais de R$150 mil vem aos poucos sendo depredada pela ação de vândalos e marginais.

Estamos falando do Calçadão do Bairro Nova Divinéia, que apesar de ter pouco mais de um ano de uso, já figura na lista dos locais públicos que são alvo do comportamento agressivo e violento de bandidos que atacam sem qualquer motivo aparente, os prédios públicos.

O calçadão que possui 2 mil m² em paver de concreto e um passeio de 867 metros, recebeu na época assentos públicos e floreiras. O investimento foi de aproximadamente R$153.178,40, em recursos do Governo Federal. Pouco mais de um ano depois de ser construído, a reportagem da W3 flagrou várias floreiras danificadas e até a iluminação pública depredada.

Moradores pedem maior segurança                

Uma das moradoras que reside próximo ao local e preferiu não se identificar temendo retaliações, explicou que o vandalismo tem sido praticado principalmente por adolescentes que vivem na própria comunidade. “São garotos, na maioria da vezes usuários de drogas, que logo ao entardecer vem para o local e fazem deste calçadão um ponto de uso de drogas. É perceptível o cheiro de maconha no final da tarde. Desta forma um lugar lindo e maravilhoso como este que deveria estar sendo usado só pela comunidade acaba sendo usado por bandidinhos mal educados,” explica.

A moradora contou ainda que em várias situações a PM foi acionada mas nas poucas oportunidades que apareceu não conseguiu inibir a presença dos vândalos. “Teve uma vez que a PM virou as costas e eles quebraram um floreira. Com os pedaços de concreto tirados do bem público eles jogaram contra a casa de alguns moradores que acionaram a Polícia. Agora todo mundo nem liga mais. Se alguém achar que não é tanto assim basta vir até aqui e ler as pichações que eles fizeram nas paredes,” justificou a moradora assustada com a violência.

“Criticam o prefeito quando não constrói espaços de lazer mas quando são construídos, fazem por prazer depredar e destruir tudo. É lamentável,” protestou o aposentado José Pedro Izidoro, de 67 anos, morador da Nova Divinéia. Ele explica que historicamente os moradores daquela região são vítimas de preconceito por residirem as margens da Favela do Ucca. “A prefeitura até tenta mudar esta realidade mas o problema aqui é social. É preciso ações mais profundas para conscientizar a população a cuidar do que é seu. Só com educação para mudar este cenário,” afirma o morador.

Depredar é crime

O Código Penal Brasileiro define o crime de dano no caput do art. 163: “destruir, inutilizar ou deteriorar coisa alheia, prevendo pena de detenção, de um a seis meses, ou multa”.

No caso de “dano qualificado”, cuja pena é de detenção de seis meses a três anos e multa, estão elencadas nos quatro incisos do parágrafo único do citado dispositivo. Sendo que o inciso III prevê a qualificadora quando o crime for cometido: “contra o patrimônio da União, Estado, Município, empresa concessionária de serviços públicos ou sociedade de economia mista”.

Ou seja, destruir o patrimônio público, além de feio e imoral, é crime. Podendo o infrator ser multado ou até mesmo preso.

Reportagem: Saulo Pithan

Fotos: David Cardoso