Na semana de comemoração à inclusão da pessoa com deficiência no mercado de trabalho, vamos trazer o exemplo de Robson dos Santos Justino. Com o apoio da mãe, ele ingressou há um ano no supermercado Abimar. Esforçado, Robson se destaca no setor de empacotamento, no qual recebe muitos elogios.

Morador de Arroio do Silva, aos 18 anos ele faz parte das 21 pessoas com algum tipo de deficiência que ingressaram no tão concorrido mercado de trabalho no ano de 2014. Com carteira assinada e com um salário de R$ 975,00, ele já almeja continuar empregado, para no futuro alcançar voos mais altos dentro da profissão.

A deficiência intelectual em nada o impede de desempenhar a função de empacotador. Com muita rapidez, ele se mostra um funcionário exemplar. Mas infelizmente a oportunidade agarrada por Robson, não é uma realidade para todos os deficientes em Araranguá.

Por Lei, cada empresa com mais de 100 funcionários precisa destinar quatro vagas para deficientes. No entanto, para a coordenadora de Recursos Humanos, Edlaine Espíndula, faltam interessados para preencher estas vagas.

“Hoje a empresa precisa trabalhar com quatro funcionários especiais, e só temos duas vagas preenchidas. Falta interesse e qualificação,” ressaltou Edlaine.

Este fato pode ser explicado pela superproteção dos pais ou pelo próprio preconceito que ainda persiste no mercado de trabalho. Apesar de ainda faltar muito para que estas pessoas sejam totalmente incluídas na sociedade, por outro lado, há muito pelo que comemorar. O exemplo mais recente fica em Araranguá, que desde o ano passado reabriu o setor de atendimento especializado ao deficiente no Sistema Nacional de Emprego – SINE.

Sine reabre setor de Assistência Social

Uma boa novidade para o deficiente é que em Araranguá, após quase uma década, reabriu o setor de Assistência Social no SINE. Aprovada por meio de concurso público, Sayonara Araujo Pessoa assumiu a função e revelou alguns aspectos positivos e negativos na incansável luta pelo fim do preconceito.

Ela explicou que existem muitos pais que realmente superprotegem os filhos, quando estes vêm a ter alguma deficiência, e que na falta de informação, muitos deles pensam que se o filho entrar no mercado de trabalho, o benefício de um salário mínimo, garantindo por Lei e pago via Governo Federal, venha a ser cortado.

“Este benefício nunca se perde. Quando um especial passa a ingressar no mercado de trabalho, o benefício é congelado. Se este deficiente sair do mercado (de trabalho), ele volta automaticamente a ser pago, sem precisar passar por perícia,” explicou Sayonara.

Ainda de acordo com ela, a volta do setor da Assistência Social já impulsionou a colocação de jovens deficientes no mercado. “Em 2014, por exemplo, foram 21 pessoas contratadas, em 2015 em seis meses já foram 16,” salientou.

Em 24 anos, desde que a Lei 8213/91 foi criada, muito foi conquistado. Mas a luta pela inclusão, acessibilidade e oportunidade a pessoas deficientes de ocupar cargos importantes dentro de grandes companhias, para Sayonara, são as lutas que continuaram pelos próximos anos ou mesmo décadas. “Estas lutas nunca tem fim. Muito coisa melhorou, mas temos que conquistas ainda muito para um dia não ter mais descriminação alguma contra os deficientes,” concluiu.

Reportagem: Felipe Balthazar // Araranguá

Fotos: David Cardoso