A Casa da Cultura e Ponto de Cultura já foi palco de quatro lançamentos de livros em dois anos e meio. Na noite de sábado foi a vez do ator global, Anselmo Vasconcellos, apresentar sua obra A volta ao mundo – uma pista para o futuro.

Com a presença da Tocata do grupo Açor Sul a noite foi marcada pela descontração. Anselmo Vasconcellos que já estava no ano passado na região para as filmagens do filme Anita retornou para regravar suas cenas. “Ano passado fiquei encantado enquanto fazia as filmagens. Que estrague novamente as filmagens para que possa voltar ano que vem novamente”, brincou o escritor Anselmo Vasconcellos.

Anselmo narrou o retorno para a região. “Sai por volta das 8 horas do Rio de Janeiro para embarcar às 1040. Com a remodelação da cidade para as Olímpiadas precisa de organização. Vim para Porto Alegre e durante o deslocamento o carro pifou. Ficamos parados em meio a Free Way, mas era mais uma oportunidade da vida em escrever uma página. Vimos a placa de SOS e acionamos o atendimento que foi muito bom. Enquanto esperava um novo carro fomos almoçar e havia uma moça loira de olhos azuis, em torno de 50 a 55 anos, que não parava de me olhar e eu não conseguia tirar os olhos dela. Ela me indagou: você não lembra de mim? Esta é a frase que mais ouço. Aos 63 anos e mais de 40 anos de carreira me acompanham, mas eu não os acompanho. Veem minha transformação, mas eu não vejo a deles. Peguei o celular e pus uma música que falava de paixão e acabou que aquela era a minha primeira namorada por quem fui apaixonadíssimo. Foi um encontro fabuloso que ocorreu porque o carro deu prego”, narrou. “Isso tudo que procuro fazer. Cada dia é um espetáculo, uma redescoberta”.

Anselmo ainda contou sobre a sua ida par Holanda, sobre a qual conversou com o prefeito Zênio Cardoso. O Ato Institucional nº 5 (AI-5), baixado em 13 de dezembro de 1968, unido ao encontro de uma mulher o levaram a uma ida para Holanda, ao qual gerou anos fora do país e muitas descobertas. Deste fato ligou a situação econômica da Holanda com a realidade brasileira. “É preciso buscar suas raízes para ser o conjunto de uma sociedade feliz. Passei em São Paulo e é um absurdo ver uma Lamborghini a passar do lado do cara cheirando crack. Como é possível esta necessidade enorme de dinheiro e consumo? Meu livro trata de um jovem que tenta compreender a vida”, observou.

Vasconcellos ainda citou o seu envolvimento com filmes em cidades pequenas. “Participo de filmes de gente que nem conheço. Fui uma vez a Santa Cruz das Palmeiras (São Paulo). Recebi uma mensagem que dizia: quero dirigir você, você topa? Expliquei que era preciso pagar um cachê, pois sobrevivia de meu trabalho e que poderia fazer. Com o depósito fui e quando cheguei havia uma placa ao aeroporto com meu nome e quando ele me viu chorou. Não acreditava que eu ia. Disse: você pagou, eu vim. 11 pedágios depois chegamos a cidade. Filmamos três madrugadas com a câmera com problemas. Quando terminamos fui conhecer a cidade. Vi uma barbearia e adoro fazer a barba em barbeiro e entrei. Foi um trabalho caprichado e o barbeiro disse que não podia me cobrar. Perguntei por que e me disse: sou produtor do filme. Havia dado R$ 10,00. Indicou um bar com uma cachacinha maravilhosa e também soube que era produtor do meu filme. E assim foi, cada  um na cidade era um cotista do filme, com R$ 10,00, R$ 15,00 para ajudar. São pequenos tesouros da vida”, relatou.

Anselmo ainda descreveu mais fatos de sua vida, incluindo sua ida no futuro ao Retiro dos Artistas, não pode falta de condições, mas por adorar o local, ao qual inclusive destina parte dos recursos do seu livro.

Para o prefeito Zênio Cardoso, foi uma honra ter recebido o ator na cidade, sendo destacado como um feito extraordinário a pequena cidade poder receber uma pessoa com tamanha bagagem cultural. Rosângela Garcia Margute, diretora municipal de cultura, apresentou o trabalho realizado na Casa de Cultura/Ponto de Cultura, com cerca de 400 alunos de cinco a 80 anos, em 13 oficinas gratuitas. Após a cerimonia, Anselmo autografou seu livro e fez fotos com os presentes.

Colaboração: Especial W3 / Jornal Amorim