Ela é catarinense do município de Sombrio e ele paulistano que reside na cidade de Lucélia. Para muitos a distância de 1.161,1 km já seria um grande obstáculo para manter um relacionamento. Mas e se as barreiras fossem ainda maiores? Muitos poderiam acabar desistindo. Mas este não foi o caso do casal de cegos, Ana Claudia dos Santos Souto e Paulo Donizeti Gardinalli Filho, que se conheceu na internet.

Mostrar que não há barreiras. Esta é a grande lição de vida que o casal deu a amigos e familiares que se emocionaram, no último sábado (18), ao ver a troca de alianças, após um ano de namoro. Agora noivos, já começam a preparar o casamento, contando os dias para ficarem definitivamente juntos. A festa está sendo planejada para daqui um ano.

A linda história de amor começou na internet e mesmo sem enxergar, a tecnologia proporcionou aos dois, o encontro através de um grupo no Facebook. “Começamos a nos falar pela internet no dia 17 de julho de 2014. Eu havia entrado em um grupo no Facebook chamado ‘Somos Deficientes Visuais’ e nos conhecemos por lá. Três dias depois já estávamos namorando. No dia que nos conhecemos pela internet, eu liguei para ele e nos apaixonamos. ‘Foi amor à primeira voz’”, brincou a jovem ao fazer alusão a uma velha frase utilizada pelos casais apaixonados.

O namoro, que iniciou pela internet, teve o seu primeiro encontro, quando Ana Claudia, no final de setembro de 2014, viajou até Lucélia, que fica localizada no interior do estado de São Paulo. “Passamos alguns dias juntos e no último dia que eu estava lá, ganhei minha aliança de namoro. Desde então, sempre que possível, viajo até lá para matar a saudade”.

Ana Claudia tem 27 anos e perdeu a visão há três anos, devido a um glaucoma. Paulo, com 34 anos, já nasceu com a deficiência visual (atrofia no nervo óptico). Juntos eles aprendem a lidar com a cegueira e com a vida. “Acredito que a gente aprende um com o outro todos os dias. Eu tento mostrar e contar pra ele as coisas que vi e ele me ensina sobre esse mundo que estou agora, mas que nem por isso deixou de ser colorido”, comenta Ana Claudia.

Como nasceu sem enxergar, Paulo cresceu adaptando a sua vida ao problema. Por isso tem muita facilidade em diversos aspectos, principalmente quando o assunto é acessibilidade digital. Diferente de Ana, que aos poucos vai se costumando a nova vida e aprendendo com o noivo. “O Paulo que entende mais de acessibilidade digital. Formado em Ciência da Computação, ele me ensina muito. Sempre me apresenta formas mais acessíveis para interagir com o mundo e facilitar nossa vida”, comenta Ana que finaliza falando da dificuldade quando o assunto é mobilidade urbana e aceitação. “Agora, trazendo a acessibilidade para as ruas, falando de mobilidade, creio que precisamos de uma sociedade mais preparada. Porque não precisamos apenas de ruas adaptadas, precisamos de pessoas que compreendam nossas necessidades e que nos respeitem por igual. Somos pessoas normais, mas com deficiência visual. Isso não nos impede de estudar, trabalhar, amar, viver”.

Colaboração: Especial W3 / Jornal Amorim