Um dos assuntos que mais se discute em círculos sociais, seja na faculdade ou no bar, é a questão dos direitos da população LGBT. E a discussão ficou ainda mais acalorada após a notícia, no dia 26 de junho, de que a Suprema Corte dos Estados Unidos aprovou o casamento entre pessoas do mesmo sexo em todos os estados daquele país.

A expressão #LoveWins, que significa em tradução livre “O Amor venceu” imediatamente inundou as redes sociais. No facebook, 26 milhões de pessoas mudaram o avatar para as cores do arco-íris, símbolo LGBT. No Brasil, as comemorações pela vitória da igualdade não passou despercebida. A euforia se disseminou de tal forma, que diversos debates e comentários, até mesmo preconceituosos, surgiram pela internet.

Dono de uma experiência incrível, tendo envolvimento direto com a causa, o araranguaense Beto Kaiser, em entrevista exclusiva à Revista W3, comentou a repercussão, causas e legado deste importante passo americano. Confira a seguir a entrevista na íntegra:

“Não é mais casamento gay, agora é apenas casamento”

W3: Por que é importante a aprovação da união civil entre duas pessoas do mesmo sexo?

Beto: “É um direito que todo cidadão tem perante a constituição. É um direito que deve ser amparado pelas leis. Pois não é a sexualidade da pessoa que determina a cidadania, e sim os atos dela. Agora, os gays tendo a união estável, eles tem direito a tudo que um hétero tem na constituição.”

W3: Por ser os Estados Unidos a adotar esta medida, tem uma importância maior?

Beto: “A nível internacional, esta lei é muito importante porque muita gente se baseia nos EUA como uma nação de primeiro mundo e se inspiram neles em política, cultura e costumes. Países mais atrasados neste assunto tendem a mudar o pensamento. Neste lugares os gays trabalham, produzem e tem que se esconder por causa do preconceito.”

W3: No Brasil, qual sua expectativa para outras lutas da classe LGBT, como a criminalização da Homofobia, ganharem força?

Beto: “No Brasil este assunto vai demorar ir à frente, devido ao preconceito de políticos, principalmente da bancada evangélica radicalista.”

W3: Como você se sente com esta notícia tão importante para uma comunidade, que trava uma luta histórica por seus direitos?

Beto: “Eu me sinto muito feliz, porque todo cidadão tem lugar embaixo deste sol que nasce todo dia, com seus direitos e deveres. Os Estados Unidos deu um grande passo, e que outros países os sigam até nisso, não só na parte de cultura. Que se respeite o próximo seja qual for a sua raça, credo ou sexualidade. Na minha opinião, não deveria haver preconceito no planeta terra.”

Uma trajetória dedicada a combater as desigualdades

Beto Kaiser, de 55 anos, é um especialista quando o assunto é direitos humanos. Durante parte da vida ele residiu em Curitiba, onde foi o presidente da ONG Instituto Paranaense 28 de Junho de Direitos Humanos, e de lá, assumiu importantes cargos.

Já foi um dos organizadores da Parada Gay de São Paulo; foi assessor no comitê das DSTs do Ministério da Saúde em 2005; foi membro do Conselho de Ética da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas e Transgeneros – ABGLT e ainda hoje é Embaixador Honorário de Direitos Humanos. Estas são apenas algumas funções, dentre as tantas, que Beto assumiu durante a carreira.

Atualmente, aposentado, ele aproveita a tranquilidade de Balneário Arroio do Silva. Sobre o preconceito que ainda insiste em existir, ele foi enfático. “Eu espero que um dia eles (preconceituosos) acordem, porque o mundo é colorido e não preto e branco.”

Reportagem: Felipe Balthazar

Fotos: David Cardoso