O caso do pedinte Lindomar Fernandes de Assunção, 53 anos, popularmente conhecido como Barriga e diagnosticado com tuberculose pulmonar na semana passada, comoveu Araranguá. O portal de notícias da Revista W3, que divulgou o caso com exclusividade, já obteve mais de 15 mil acessos.

Segundo informações oficiais da secretaria municipal da Saúde, o pedinte foi diagnosticado com a doença infecto-contagiosa há aproximadamente sete dias, foi internado no Hospital Regional de Araranguá, ganhou tratamento medicamentoso e recebeu alta da unidade hospitalar, além da recomendação para permanecer em casa, em isolamento respiratório por até 15 dias, período em que há maior risco de transmissão da doença.

O que têm preocupado os moradores, é que Barriga continua sua rotina diária de peregrinar pelas ruas da cidade em busca de esmolas. O paciente que possui transtornos mentais e faz uso de álcool com frequência, permanece invadindo locais fechados como estabelecimentos comerciais e repartições públicas. Na manhã desta quinta-feira, a reportagem da Revista W3 flagrou o pedinte no centro da cidade. Apresentando sinais de debilidade física, Barriga continuava abordando os pedestres em busca de dinheiro.

Internação negada

Ciente da dificuldade em oferecer o tratamento adequado, a secretaria municipal da saúde, por meio do programa de tuberculose, chegou a solicitar a internação compulsória do paciente. A informação é da coordenadora do programa, a enfermeira Marcia Ceratto. Segundo ela, um pedido foi encaminhado ao Ministério Público, mas foi negado pela Defensoria Pública do Estado. A internação compulsória não necessita a autorização familiar e é assegurada pelo artigo 9º da lei 10.216/01 que estabelece a possibilidade da internação compulsória, sendo esta sempre determinada pelo juiz competente, depois de pedido formal, feito por um médico, atestando que a pessoa não tem domínio sobre a sua condição psicológica e física.

A enfermeira explicou ainda, que diante da negativa foi preciso acionar a rede de proteção para possibilitar o tratamento ao paciente, que passa maior parte de seu tempo vagando pelas ruas, tanto que ele próprio já afirma ter a rua como casa.  “O paciente recebeu tratamento medicamentoso, está sendo monitorado diariamente pela agente de saúde do bairro e a responsabilidade de aplicar o medicamento foi dada à irmã dele, que é a curadora oficial. Temos nos esforçado para acompanhar este caso,” explicou.

Ainda de acordo com a coordenadora do programa, Barriga mora na Vila Samaria e reside aos fundos da casa da irmã que foi quem recebeu a medicação para administrar no paciente. As três pessoas que vivem na casa passaram por exames. “É um procedimento padrão, investigarmos a tuberculose em pessoas que estão mais próximas e convivem com o paciente,” afirmou.

Sem motivos para desespero

A enfermeira aproveitou para tranquilizar a comunidade em relação ao paciente. Ela recomenda evitar o contato em ambientes fechados neste período inicial da doença, mas também afirma que o pedinte está medicado e as chances de contágio são mínimas. “Não há motivo para se desesperar. Estamos monitorando o caso, a rede toda está envolvida e vamos tentar fazer com que o paciente cumpra todo o tratamento que tem duração de seis meses. Assim como ele, qualquer pessoa pode procurar diagnóstico se notar os sintomas da tuberculose. O indicado é buscar imediatamente uma das unidades de saúde do município, pois todas estão aptas a realizar o diagnóstico,” explicou.

Ainda hoje, a revista W3 vai trazer uma reportagem completa sobre esta perigosa e silenciosa doença. A tuberculose, transmitida pelo Mycobacterium tuberculosis, o bacilo de Koch, é provavelmente a doença infecto-contagiosa que mais mortes ocasiona no Brasil. Estima-se, ainda, que mais ou menos 30% da população mundial estejam infectados, embora nem todos venham a desenvolver a doença.

Informações sobre tuberculose: Hospital Bom Pastor- Programa de Tuberculose: Fone- 48- 3903 1903

Reportagem: Saulo Pithan

Fotos: David Cardoso