Com a suspenção da greve do magistério, que durou aproximadamente 70 dias, as aulas voltaram a normalidade na segunda-feira (8), nas 43 escolas estaduais no Vale do Araranguá. No entanto, uma preocupação vem angustiando pais e alunos: o ano letivo ainda vai ser cumprido? Sofrerá prejuízos?

O gerente de Educação da 22ª Secretaria de Desenvolvimento Regional – SDR, Nilson Costa, o Tainha, explicou que o Estado ainda vai definir o formato que as aulas serão repostas. “O secretário Eduardo Deschamps vai passar de que forma vamos nos posicionar frente ao calendário, para que os 200 dias letivos sejam cumpridos,” destacou Tainha.

Com o objetivo de buscar respostas, a Revista W3 ouviu diretores de duas escolas de Araranguá, a fim de saber se existe a possibilidade do ano ser perdido, e quais são as alternativas para encaixar os dias parados, para que os alunos não sejam prejudicados.

A preocupação com os estudantes do ensino médio

A diretora de uma das maiores escolas de Araranguá, o Colégio Estadual, Luciana Costa Martinello garantiu que o ano não será perdido, e que os alunos do terceiro ano do ensino médio, que vão prestar vestibular, não serão prejudicados.

“O problema que poderia vir a ocorrer é o fato das universidades particulares abrirem as inscrições entre dezembro e janeiro, e como provavelmente o ano letivo de 2015 será estendido até janeiro de 2016, neste período os alunos ainda não teriam concluído o ensino médio,” destacou.

No entanto ela garante que já entrou em contato com as universidades, e quanto a esta questão, basta os pais reservarem a vaga. “E este problema não deverá ocorrer nas universidades públicas, onde a inscrição abre somente entre fevereiro e março,” lembrou.

Para recuperar o tempo perdido e preparar os alunos para os vestibulares, Luciana ressaltou que o conteúdo passado em sala de aula vai ser revisto. “Vamos elencar os conteúdos mais importantes, visando os vestibulares, principalmente o Enem,” comentou.

Ela ainda afirma que não será um ano fácil. “mas é possível garantir o acesso às universidades, isso não tenho dúvida,” concluiu.

Alternativas

A diretora da Escola Castro Alves, Adelina Rosso De Lucca, enumerou quais são as possibilidades que podem ser utilizadas para compensar os 70 dias parados, que  rendeu mais de 50 dias de aulas perdidas. Confira a seguir.

“Para ajustar o calendário, podemos utilizar de vários recursos, como as férias de julho, de dezembro, as datas programadas para estudos de formação continuada, ou mesmo o avanço das aulas até o mês de janeiro,” apontou. “No entanto, o ano não será perdido, disso tenho certeza,” garantiu.

Recuperando o tempo perdido

O tempo ocioso, em que foi deflagrada a greve do magistério, deixou quase 19 mil alunos no Vale do Araranguá literalmente parados. Os alunos do terceiro ano do ensino médio são os mais prejudicados. Com o Enem, e outros vestibulares pela frente, eles precisam recuperar o tempo perdido.

No que depender da estudante do Estadual, Marina Maciel, 16 anos, a boa nota está garantida. Durante a greve, ela não deixou de estudar e relembrar os conteúdos aprendidos. “Eu sempre assisto vídeo-aulas na internet, para já ir me preparando,” contou.

Com a volta as aulas, ela já se inscreveu em dois cursos pré-vestibular. Com o sonho de ser professora, ela garante que com dedicação, dá para recuperar o tempo perdido. “Se nós, alunos, nos esforçarmos, dentro e fora da sala de aula, com certeza podemos tirar de letra o tempo perdido,” concluiu.

Reportagem: Felipe Balthazar

Fotos: David Cardoso