A saúde das entidades filantrópicas que realizam trabalho social em Araranguá está debilitada. A luta para continuar respirando começa a sentir a necessidade de uma injeção de recursos federais, que não têm vindo.

O atraso no repasse de verba por parte do governo Federal, que não ocorre desde outubro do ano passado, à três instituições araranguaenses, vem causando polêmica na Câmara de Vereadores. A denúncia partiu do vereador Daniel Viriato Afonso (PP), que protocolou requerimento onde solicita informações sobre o repasse de recursos do município para entidades assistenciais, entre elas, a Casa Lar, Associação Beneficente São Vicente de Paulo e a Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais – APAE.  A reportagem da Revista W3 foi em busca de explicações e antecipa com exclusividade os fatores que motivaram o corte dos repasses. Nossa equipe também conversou com as entidades e mostra as dificuldades provocadas pela decisão do Governo Federal.

 Casa Lar

 A Instituição Irmã Carmem, Casa Lar, tem um dos trabalhos mais atuantes do município no que tange aos cuidados com crianças em estado de vulnerabilidade social. Mas para manter o projeto funcionando, a Casa conta com convênios com diversos municípios, governo estadual e federal.

 Conforme o presidente da instituição, João Izé, a Casa Lar recebe o montante de R$ 1.700,00 por mês do Governo Federal. No entanto, o Governo não repassa a verba desde outubro de 2014. “E este recurso faz falta, pois ele é investido no custeio e manutenção da entidade,” apontou.

APAE

O presidente da APAE foi mais incisivo sobre a falta que o recurso faz. “Está nos quebrando”, frisou Sadi Possamai Soprana. O desabafo dele é em relação ao não pagamento de recursos proveniente do Ministério de Desenvolvimento Social, do Governo Federal. “Realmente está em atraso desde outubro de 2014. E este valor faz muita falta, pois poderíamos bancar despesas, comprar uniformes ou mesmo investir em diversas outras áreas,” ressaltou.

Ele ainda revelou, que sem estes recursos, a APAE é obrigada a cortar diversas despesas para tentar não fechar o ano no vermelho. “Em 2014 fechamos no negativo, e este ano, se este repasse nos for regularizado, podemos fechar no vermelho de novo,” afirmou. A APAE recebe o montante de R$ 5.812,00 por mês.

São Vicente de Paulo

O Lar de Idosos São Vicente de Paulo também confirmou o não recebimento da verba federal. Além disso, o presidente da instituição, Edoir Mota, lembrou que até o momento nenhum convênio nas três esferas, municipal, estadual e federal, foram renovados. Sobre o repasse do Governo Federal, ele inteirou que normalmente sempre há o atraso, mas que nunca deixou de ser pago, como desta vez.

“Todos recursos são automaticamente repassados às instituições”, declara Chico

O secretário de Assistência Social, Eduardo Merêncio, o Chico, explicou à reportagem da W3 que os recursos federais foram suspensos em outubro de 2014. “Nenhum recurso desta verba específica, chegou a nós desde então. Não interferimos no destino dos recursos, eles são alocados e repassados automaticamente às instituições beneficiadas pelo convênio,” relatou Chico.

O secretário ainda garantiu que os convênios municipais, que pagam mais para as instituições do que o próprio recurso federal, já foram renovados. Sobre o fato do governo não pagar os atrasos do ano passado, ele lembrou que o recurso não é retroativo. “O convênio é renovado automaticamente todos os anos e o governo repassa os recursos disponíveis, não existe pagamento retroativo,” explicou.

Felipe Balthazar

Foto: David Cardoso