Trabalhar, praticar esportes, sair com amigos, dirigir, namorar, se divertir também fazem parte do dia a dia de pessoas que não aceitam atrelar seus horizontes a uma cadeira de rodas. É para mostrar aos próprios deficientes físicos que este tipo de caminho pode ser percorrido, que existe a Associação dos Deficientes Físicos de Araranguá - Adear.

Mudar preconceitos da própria família e do próprio deficiente, também é um dos seus objetivos. Ao longo dos 33 anos de história, em que está inserida na Cidade das Avenidas, a associação passou por diferentes lutas dentro da sociedade, para que hoje, possa ajudar mais de 250 pessoas com deficiência física.

“A Adear foi pioneira em Araranguá ao promover estas discussões a sociedade,” pontuou a presidente da Associação, Dilma Silveira de Freitas. Da fundação aos dias atuais, Dilma elencou três momentos da instituição. O primeiro desafio foi o de inserir o deficiente na sociedade. “Porque antigamente a pessoa com deficiência era usada pela família para pedir esmola, prática que foi combatida pela Adear,” comentou Dilma.

O segundo momento foi o de inserir os deficientes em atividades dentro da sociedade, a começar pelo esporte. Já no terceiro e último momento, surgiu o movimento da inclusão social, conscientizando o deficiente e a família de que pessoas com deficiência também podem trabalhar, estudar e até mesmo se casar.

“Eles saíram das ruas, foram para o esporte, para o mercado de trabalho e hoje estão sendo inseridos na sociedade. Queremos que o deficiente tenha seus direitos garantidos, possa ter uma vida normal, assim como qualquer outra pessoa,” completou a presidente.

“Minha maior tristeza era me sentir um nada”

A importância das bandeiras levantadas pela Adear marcou a vida de muitas pessoas. A aposentada Marlene Fernandes, de 50 anos, é uma destas guerreiras, que venceram o preconceito. Ela relatou à Revista W3 a tristeza que sentia na infância e adolescência quando via as irmãs poderem brincar, sair ou mesmo namorar, enquanto ficava desolada no “cantinho”.

“Com 17 anos eu conheci um rapaz e contei para meu pai. Ele me disse para não pensar em casamento, o que me magoou muito,” relatou. “Eu disse para ele que também tinha sentimentos, assim como minha irmã. Acho que isso o tocou na época,” relembrou, com os olhos lacrimejados.

Marlene é prova de luta e resistência. Ela venceu obstáculos dentro do próprio lar e também na sociedade. Nada a impediu de viver uma vida com tudo o que tinha direito. Com 19 anos se casou, com 23 teve um filho e com 27 entrou no mercado de trabalho, como costureira, após muita resistência dos patrões.

“Quando eu olho para trás, vejo o quanto é importante ajudar o próximo,” frisou. As verdades nas palavras de Marlene são apenas um dos motivos que a incentivam fazer parte da Adear.

Campanhas e doações

Bingos, pedágios, festas. Estes são apenas alguns dos eventos que a Adear realiza todos os anos. O objetivo de cada um deles é único: arrecadar dinheiro para comprar novos equipamentos que auxiliarão a vida de diversas pessoas com deficiência, como cadeira de rodas e muletas.

Atualmente 60 pessoas possuem cadeiras de rodas cedidas pela Associação. Além de bengalas, camas especiais e muletas. Todo o apoio também é dado quando alguém se dispõe a ajudar. É o caso da colunista Helen Becker, que arrecadou recursos para a compra de uma cadeira de rodas para um deficiente de Balneário Arroio do Silva. “Foi do sentimento de fazer o bem sem olhar a quem, que eu mobilizei as redes sociais para dar uma vida social ao Reinaldo, um garoto de 18 anos que fraturou o pescoço em um mergulho em águas rasas, e agora está tetraplégico,” lembrou Helen.

Quem tem interesse em ajudar a instituição, pode aderir a campanha “Sou Amigo do Social”. Com uma doação mínima, você além de contribuir com quem precisa, também cumpre com o dever de cidadão: o de elevar a sociedade a um patamar digno. Para colaborar ligue: 9917-5828.

Fotos: Gabriela Silva