Na última segunda-feira, dia 11, a obra que custou aos cofres públicos aproximadamente R$ 1 milhão de reais voltou a alagar e foi alvo de protestos da população. Anunciada com fogos pela Administração Municipal e inaugurada em dezembro do ano passado, a galeria pluvial construída na esquina das avenidas Coronel João Fernandes e Capitão Pedro Fernandes, entre o Teatro Municipal Professora Célia Belizária de Souza e o Edifício Cruzeiro do Sul transbordou novamente e deixou o trânsito interrompido no local por mais de 40 minutos.

Um veículo que estava estacionado na rua Capitão Pedro Fernandes ficou completamente tomado pela água e a proprietária entrou em desespero. Em sua página nas redes sociais, Gislaine Farias, chorou ao falar sobre a fatalidade. Em um vídeo que foi visto por mais de 20mil pessoas, a dona do automóvel desabafou: “Esta obra custou R$ 1 milhão de reais e não resolveu o problema que persiste. Quando chove forte tudo alaga. É um descaso com a população. Como cidadã exijo saber se todo este dinheiro foi realmente gasto em uma obra que não resolveu o problema,” protestou.

“Vou defender o indefensível,” diz Polaco à Rádio Araranguá

Em entrevista ao jornalista Saulo Machado, da Rádio Araranguá AM, na última terça-feira, o Diretor da Samae, engenheiro Everson Casagrande, o Polaco negou erros no projeto técnico da obra. “As pessoas escrevem muitas besteiras nas redes sociais. Refizemos os cálculos e concluímos que tudo está correto, o problema é que tem chovido muito mais do que normalmente acontece” ponderou.

Ainda de acordo com o engenheiro a solução total do problema passa pela realização de outra obra. Eles sugere que a tubulação do canal onde a água da chuva desemboca no rio Araranguá seja ampliado. “O grande problema é a saída para o rio que tem um tubulação de apenas 60cm. Também existe um desnível entre o começo e o fim da tubulação que prejudica a vazão da água,” afirmou.

MP investiga supostas irregularidades

No dia 10 de março deste ano, a Promotora de Justiça, Dra Cristiane Anguslki da Luz, instaurou inquérito civil público para apurar eventuais responsabilidades e a promoção das medidas adequadas, judiciais ou extrajudiciais em relação a obra. O caso está sendo investigado pela 2ª Promotoria de Justiça de Araranguá e poderá se transformar em ação civil pública caso fique comprovada as supostas fraudes na obra.

Para instaurar o processo o Ministério Público levou em consideração o fato de que licitação é o procedimento administrativo por meio do qual a administração pública procura selecionar a proposta mais vantajosa para os interesses da coletividade, o que segundo a denúncia que aportou no MP não ocorreu.

O órgão ministerial também se baseou nas suspeitas sobre a resolutividade da obra. “Considerando que a qualidade das obras e o resultado dos serviços executados pelo poder público devem pautar-se no princípio da eficiência, o qual se desdobra na concepção da economicidade-que visa a prestação de bons serviços, do modo mais simples, mas rápido e mais econômico- elevando assim a relação custo-benefício do trabalho público a fim de atingir um patamar satisfatório aos interesses da sociedade instauramos o procedimento,” afirma a promotora no documento.

Reportagem: Da redação

Fotos: Gabriela Silva