Com a melodia da música “mãe” da dupla Rick e Renner, as detentas do Presídio Regional de Araranguá puderam sentir brotar do coração, o sentimento mais puro de um ser humano, o de mãe. O almoço beneficente organizado na ala feminina na última terça-feira (12) proporcionou fortes emoções, seja a quem está cumprindo pena ou a quem espera apenas o retorno de algum detento ao seio familiar

Organizado pelo diretor Adércio José Velter, o almoço foi realizado inteiramente por voluntários. Desde apoio dos principais supermercados da cidade, a disponibilidade de músicos e chef de cozinha. Tudo para tornar uma data tão especial, como o Dia das Mães, na possibilidade de humanizar quem está aprendendo com os próprios erros.

E dentro da cadeia, Thaise de Bona Araújo aprendeu com os erros do passado. Há três anos e 11 meses presa, ela é uma detenta exemplar, condição que lhe permitiu liberdade por meio do regime semiaberto. O dia das mães para ela teve um gostinho especial.

Afinal, foi no presídio que Thaise descobriu que estava grávida. Passar os dias, sendo privada da liberdade e ainda por cima carregando um bebê, não foi uma tarefa fácil. Mas vencer dificuldades e ser reintegrada na sociedade é o verdadeiro papel de um presídio. Após ter todos os amparos necessários, Thaise deu a luz ao pequeno Vinicius, um lindo menino, hoje com um ano e oito meses de idade.

“Este evento é maravilhoso, pois para mim é especial. Me faz lembrar deste momento de superação na minha vida, e também pelas outras mães que aqui estão, que não tem a oportunidade de sempre ver os filhos,” disse em tom de felicidade.

Ver os filhos todo final de semana não é regra para todas as detentas. Cumprindo regime fechado, Diandra Patrício pode ver o filho, João Gabriel, de sete anos, e Wagner de seis anos, a cada 15 dias. Se não bastasse, a mãe dela, Maria Teresinha Patrício também está presa, no entanto, Maria cumpre o regime semiaberto, o que impossibilita as duas de terem contato.

“Agradecemos a todos que possibilitaram este almoço, pois para nós não existem palavras que possam descrever este momento. Muito mais do que um simples almoço foi a possibilidade de rever minha filha. Defino tudo isso com uma simples palavra, felicidade”, explicou Maria, entre lágrimas.

A emoção tomou conta não só das mães, mas de todos que estavam na condição de expectadores. Quem de uma maneira ou outra, contribuiu com a iniciativa que serviu para aproximar mãe e filhos também se emocionou.

Evento marca início da gestão Adércio

Há pouco mais de dois meses, Adércio assumiu o cargo de diretor do Presídio Regional de Araranguá, no lugar de Barbara Souza. E de cara, ele pegou um grande compromisso, o de ter uma gestão a altura da ex-diretora. Para isso, Adércio deu o primeiro grande passo, tendo a brilhante ideia do Almoço beneficente.

Com muito interesse pelo bem estar das detentas, ele procurou acertar todos os detalhes do evento, para que tudo conspirasse a favor da importante data. “Nós temos que acreditar, participar e transformar. E é isso que queremos fazer aqui no presídio. Eventos deste porte são ferramentas de ressocialização” salientou Adércio.

Os voluntários também destacaram a importância da ressocialização, que tem por finalidade, inserir novamente na sociedade quem já cumpriu pena na unidade prisional.

“Acho que o maior erro da sociedade é ficar julgando. Temos que mudar esta concepção, de que a cadeia é para punir, pois ela também precisa cumprir o papel de ressocializar,” disse o professor Lucas Spirelli, que emocionou os presentes cantando diversos sucessos do pop/rock nacional.

“Eu e minha equipe realizamos oito eventos beneficentes por mês. Em todos os lugares que estamos cozinhando, em eventos beneficentes, saímos com um aprendizado,” pontuou Chef Motta, responsável por fazer a deliciosa Paella.

“O contato familiar com as crianças é de extrema importância para que não se perca este vínculo familiar,” ressaltou a juíza da 2ª Vara Criminal da Comarca de Araranguá, Dr ª. Alessandra Meneghetti.

Reportagem: Felipe Balthazar

Fotos: Gabriela Silva