Há 30 anos, quando não existia o CAPS – Centro de Atenção Psicossocial ou programas de Saúde Mental nos municípios brasileiros, quando um paciente apresentava um quadro de transtorno mental o primeiro passo era a internação em manicômios. O resultado nunca surtia o efeito esperado pela família dos pacientes e em muitos casos piorava a situação e levava a morte.

Sem medo de ser Feliz

Com a camiseta estampada com a frase “Sem medo de ser Feliz”, dona Alvani Patrício Custódio, 52 anos, é uma prova de que as terapias e o atendimento humanizado do CAPS I de Araranguá transformou a sua vida.

“Eu sofria de depressão profunda. Não comia, não sentia vontade de fazer nada, a minha sorte é que meu marido foi o meu esteio, tive internada em centro de recuperação, mas desde que comecei a frequentar o CAPS posso dizer que sou uma pessoa feliz,” pontuou.

Questionada sobre o que o Centro de Atenção Psicossocial mudou na sua vida, dona Vani, como é conhecida, fala: “a convivência com os pacientes é muito boa, a gente passa uma palavra de conforto aquelas pessoas que estão depressivas, os funcionários nos atendem muito bem. Aqui encontrei uma família. Anjos que me carregaram pelos braços - porque eu não caminhava tamanho era o estado depressivo que me encontrava,” declarou.

Programação da semana antimanicomial

A cada ano o CAPS tenta chamar a atenção da sociedade e meios de comunicação sobre a importância da luta contra os manicômios. Neste ano, conforme a coordenadora do centro, Terapêuta Ocupacional Fabiane Tierling Damásio, a programação pretende mostrar o que o CAPS tem feito para ajudar a melhorar a vida dos pacientes.

“Iniciaremos hoje com pintura de camisetas pelos pacientes, amanhã (12), atividades na horta, e na quarta (13), produção de materiais e exibição de filme. Na quinta-feira (14), palestra para mulheres e na sexta-feira (15), preparação de cartazes e faixas para divulgação no dia 18 de maio – Dia de Luta Antimanicomial, com entrevistas nos meios de comunicação,” frisa.

Como surgiu o movimento antimanicomial

O Movimento Antimanicomial tem o dia 18 de maio como data de comemoração no calendário nacional brasileiro. Esta data remete ao Encontro dos Trabalhadores da Saúde Mental, ocorrido em 1987, na cidade de Bauru, no estado de São Paulo, que reuniu mais de 350 trabalhadores na área de saúde mental.

As condições da saúde mental no Brasil evoluíram, porém a Luta Antimanicomial não parou. Ainda acontecem manifestações em todo o país no dia 18 de maio, para que se mantenha vivo o cuidado com os doentes, e para que fique claro que eles não devem ser excluídos da sociedade e maltratados como eram antigamente, mas sim orientados e acompanhados para que possam encontrar seu lugar no mundo.

Colaboração: Jorge Pimentel / Ascom prefeitura de Araranguá