As mãos calejadas de seu Silvino e dona Ilda Vito mostram que a vida no campo não foi nada fácil. Debaixo de sol ou chuva, o casal não mediu esforços no trabalho dedicado aos poucos pedaços de terra que a família possuía e, hoje, recorda com orgulho do trabalho no campo. “Antigamente não era tudo fácil como é hoje não. Era trabalhado de morrer na roça, com o sol quente, trabalhava dia e noite, noite e dia, bem dizer. Acordava cedo e ia deitar tarde da noite. Em quatro anos tivemos três filhos e trabalhando na roça o dia todo, era uma época difícil”, recorda dona Ilda.

O casal que plantava de tudo um pouco e ainda criava gado foi vendo o resultado do trabalho aos poucos. “Fizemos uma casinha em cima da terra do sogro, porque não tínhamos nada, só crédito. Fomos trabalhando, batalhando, investindo o que ganhávamos de uma colheita para outra e em pouco mais de 30 anos adquirimos 125 hectares de terra”, afirma seu Silvino.

Diferente de hoje, em que as máquinas fazem o maior trabalho, naquela época, para render, o serviço na roça dependia apenas das mãos do casal. “Hoje todo mundo tem dinheiro, a vida está muito mais fácil. Naquela época não era assim não. Íamos ao culto todo domingo e só levávamos os filhos quando tínhamos um trocado para comprar bombom. Se não, quando chegava em casa, eles me pediam, eu ia para o fogão a lenha esquentar um pouquinho de açúcar e dava para eles comerem de colher. Esse era o bombom deles”, lembra dona Ilda.

Seu Silvino e dona Ilda que estão juntos há 66 anos – mesma data que o município de Turvo comemora de emancipação político-administrativa nesta sexta-feira, 20, recorda até hoje como foram os primeiros meses de namoro. “Meu pai não queria que eu me encontrasse com ele, por isso, nos víamos sempre às escondidas. Chegamos a ficar afastados um tempinho, mas logo voltamos a nos ver. Para casar com ele tive que ameaçar fugir, só assim meu pai aceitou. Mas até hoje não chamo pelo nome, sempre teve receio de chamá-lo na frente dos meus pais”, relata dona Ilda.

Aos 87 anos, dona Ilda é exemplo de vitalidade. Com muita alegria, ela relata à reportagem que ainda faz ‘misturas’, cuida da casa, lava roupa e até planta algumas mudas em seu quintal. “Tivemos uma vida muito feliz nesta cidade, que para nós, é abençoada. Aqui as pessoas se conhecem, se preocupam umas com as outras. É muito bom morar aqui”, finaliza o casal.

Novos métodos

Atualmente, conhecida como a capital da mecanização agrícola, a cidade de Turvo é referência em produção e comercialização de grãos. Diferente da época de seu Silvino e dona Ilda, hoje, tudo é baseado na tecnologia e poucos são os trabalhos basicamente manuais. O município é o terceiro maior produtor de arroz de Santa Catarina.

Reportagem: Maiara Possamai

Fotos: Rafael Ribeiro