Cazuza deixou gravado na história a canção 'Brasil, mostra a tua cara'. É um protesto aos escândalos políticos, às desigualdades sociais e às injustiças. Sua música-manifesto dos anos 1980 conclama: 'Brasil, mostra a tua cara /Quero ver quem paga /Pra gente ficar assim /Brasil /Qual é o teu negócio? /O nome do teu sócio /Confia em mim'. O autor de 'Ideologia' ('quero uma pra viver') morreu queixando-se de que suas ilusões haviam sido perdidas. Deixou este outro verso de triste atualidade: 'Os meus sonhos foram todos vendidos'.

Quase trinta anos depois, as letras de Cazuza ainda fazem sentindo. Na opinião dos jovens Yuri Silva, 20 anos, Gabriel Biff,18, Rafaela Pires, 17 e Gabriel Cesa,20, elas poderiam muito bem ser o tema da atual conjuntura política que vive o país. Entusiasmados com a adesão nas redes sociais, os quatro estarão junto ao grande grupo que promete ganhar as ruas neste domingo em Araranguá. A manifestação que deve atrair uma média de 2 mil pessoas é contra o governo federal. Animados com a adesão ao panelaço durante o pronunciamento da presidente Dilma Rousseff na televisão, domingo passado, manifestantes críticos ao governo organizam o protesto com a ajuda do Facebook e do WhatsApp. 
Em Santa Catarina, 15 cidades têm eventos confirmados. Entre os apoiadores há indignados com os escândalos de corrupção, descontentes com o rumo da economia, empresários adeptos da cartilha liberal, defensores do impeachment e até apoiadores de uma intervenção militar. “Em Araranguá esperamos mobilizar uma média de 2mil pessoas. No facebook convidamos quase 15mil, mas sabemos que o brasileiro, lamentavelmente é um povo acomodado, portanto estimamos um número não tão alto, mas significativo de participantes, “explica o universitário Gabriel Cesa, 20 anos.

Rebeldes, mas com causa

A estudante Rafaela Pires,17 anos, vai as ruas para protestar contra a corrupção, mas principalmente contra os problemas nas inscrições para o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies). Ela diz ter sido enganada pelo governo do PT durante as eleições. “Durante a campanha a presidente fez um discurso, mas na prática é outro totalmente diferente. O governo do PT mudou as regras do Fies e tornou pior a situação de estudantes e universidades,” desabafa.

Acadêmico de engenharia civil, Yuri Silva, está preocupado com o futuro do país. “A construção civil a exemplo de outras áreas teve uma grande baixa e está em crise. Queremos um país mais justo, com menos desigualdades e sem escândalos de corrupção,” apontou.

Estudante de Publicidade e Propaganda, Gabriel Biff defendeu o “Fora Dilma!”. Na opinião do jovem, a Presidente foi responsável por fazer o país mergulhar em uma grande crise. O governo do PT na avaliação do universitário é desastroso e envergonha o país. “Precisamos nos mobilizar e mostrar a nossa força. É hora de dar um basta a tanta corrupção,” conclama.

Movimento apartidário

Gabriel Cesa reforça que a manifestação deste domingo é apartidária e conclama  todos para participar do ato. A orientação é para que a única bandeira presente seja a do Brasil. “Pedimos que as pessoas compareçam vestidos de verde e amarelo e com a bandeira do país. Todos os partidos estão convidados. Quem está descontente com este governo deve vir para rua, pois somente o povo unido poderá mudar a história,” afirma.

SAIBA MAIS:

Quem assume em caso de impeachment?

A pergunta-chave que gira em torno da polêmica sobre impeachment, seja em Brasília ou nos estados, é: quem assume o no lugar do presidente/governador afastado?

A Lei 1.079/50, que define os crimes de responsabilidade e regula o processo de julgamento de impeachment, é clara ao apontar que é o vice.

Também é indiferente se o impedimento ocorre na primeira ou na segunda metade do mandato. Fernando Collor, por exemplo, foi afastado antes da primeira metade do mandato presidencial e quem assumiu foi Itamar Franco.

A situação muda de figura, porém, se o vice também for alvo de um processo de impeachment. Nesse caso, se o titular e o vice forem afastados na primeira metade do mandato, é convocada uma nova eleição.

Se o afastamento dos dois ocorrer na segunda metade do mandato, o novo mandatário é escolhido pelo Poder Legislativo.

“Há muita confusão sobre o impeachment porque, em matéria de legislação eleitoral, normalmente a cassação envolve a chapa e não apenas o mandatário”, explica o advogado e professor de Direito Eleitoral Guilherme Gonçalves.

 

SERVIÇO:

O que: Manifesto pelo impeachment da presidente Dilma Rousseff

Quando: 15 de março- domingo

Onde: Concentração no Relógio do Sol

Horário: Saída das 16h

Reportagem: Saulo Pithan
Fotos: Gabriela Silva