De portas fechadas, isolada por fitas refletivas, impedindo o acesso a todos os ambientes. Este é o atual cenário da maior e uma das mais tradicionais escolas públicas de Araranguá. A correria e movimentação diária do colégio Maria Garcia Pessi agora dão espaço ao silêncio e ao vazio. Nos corredores antes cheios de jovens e crianças, encontra-se apenas o abandono.

Interditada no início desta semana pelo Corpo de Bombeiros e Vigilância Sanitária, a escola era alvo de processo judicial desde 2011, devido à estrutura comprometida, que oferecia riscos à integridade física dos alunos. Fechado desde segunda-feira, nestes últimos dias o colégio serviu apenas de local para reuniões dos professores e direção. Os alunos foram dispensados e aguardam informações sobre o futuro da escola.

A diretora da escola, Sandra Vargas, acompanha todos os detalhes da interdição. Segundo ela, a direção aproveitou estes dias em que as aulas precisaram ser interrompidas para promover reuniões com os professores, planejar as atividades escolares e organizar a estrutura da escola. “Estamos recebendo total apoio da secretaria Regional e estamos fazendo tudo o que está ao nosso alcance, mas agora, precisamos aguardar as definições da comunidade escolar”, ressalta.

Uma reunião na noite de ontem, 11, reuniu pais, professores e autoridades. O objetivo foi discutir os próximos passos, incluindo os locais para onde as aulas devem ser transferidas. De acordo com o gerente da Secretaria de Educação, Nilson Costa, desde a última semana a gerência foca seu trabalho neste assunto, buscando soluciona-lo da melhor forma possível. “Nossa expectativa era utilizar as salas do campus da Universidade Federal, mas em reunião com o diretor na manhã de ontem, recebemos um posicionamento negativo ao pedido. Por isso, a opção será o pavilhão de um antigo supermercado no bairro Mato Alto, porém este local só deve ser liberado dentro de 30 dias, por isso, vamos buscar uma nova alternativa emergencial”, explica.

Será adequada

O Ministério Público determinou um prazo máximo de 15 dias para a adequação, segundo as normas apresentadas pelo Corpo de Bombeiros, da nova ala do colégio. Caso contrário, este espaço também será interditado. “Já temos uma verba de R$ 80 mil disponibilizada para este fim. Até o momento, tivemos metade deste valor liberado, que deverá ser investido em melhorias na parte estrutural. Já a segunda parcela será destinada à construção dos banheiros e da cozinha da escola, que atualmente, ficam localizados na antiga ala”, afirma Nilson.

Segundo o gerente de Educação, até a próxima semana os alunos permanecem liberados. Estas duas semanas serão descontadas nas férias julho, para que os 200 dias letivos possam ser cumpridos. “Vamos fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para que as aulas retornem o mais breve possível”, garante.

Aguarda recursos

Já a ala interditada da escola ainda não tem prazo para ser demolida e posteriormente, receber um novo prédio para abrigar os alunos e professores. “Os recursos já estão bem encaminhados por parte do governo do estado. Estamos terminando de confeccionar o projeto para, posteriormente, apresentá-lo à secretaria estadual de Educação e solicitar sua realização”, destaca.

Reportagem: Maiara Possamai
Fotos: Rafael Ribeiro