A “selfie” registrada na paradisíaca paisagem do Morro dos Conventos é uma das poucas recordações que o casal Thaís Santi, 28 anos e João Guilherme Ottonelli, 31 anos levarão para sua cidade natal, após curta passagem por Araranguá. Os turistas gaúchos que vieram de Santiago no último final de semana, ficaram encantados com a beleza do local, mas espantados com o despreparo da subsecretaria de turismo. “Gostamos muito daqui. A cidade, as praias, as belezas naturais, a hospitalidade do povo, enfim tudo é muito lindo. Gostamos tanto que até iríamos ajudar a divulgar, mas não encontramos qualquer tipo de folder da cidade para levar,” conta.

O casal revela que escolheu Araranguá depois de fazer pesquisas na internet e tinha a intenção de permanecer na cidade oito dias, mas resolveu abreviar o passeio pela falta de informações. “Antes de vir tentamos contato telefônico com a secretaria de turismo mas as informações que recebemos foram mínimas. A moça que nos atendeu não soube ajudar e acabamos optando pela Praia do Rosa onde conseguimos obter maiores informações. Ficaremos em Araranguá apenas três dias,”lamenta.

Trade turístico sofre com falta de material

O depoimento do casal de turistas foi logo comprovado pela Revista W3 que percorreu parte do trade turístico – que reúne meios de hospedagem, bares e restaurantes. Nenhum dos locais visitados pela reportagem possuía qualquer tipo de folder ou material de divulgação do turismo local. Aos serem indagados, os atendentes são hesitaram em dizer que a prefeitura não disponibilizou durante esta temporada folders contendo divulgação dos pontos turísticos locais.

No Hotel Morro dos Conventos, a recepcionista Larissa Sato confirmou o descaso. “O único material que temos para disponibilizar aos hóspedes é uma espécie de mapa contendo informações gerais do Estado, mas nada específico de Araranguá. Não sabemos ao certo a origem desse material mas não foi entregue pela prefeitura. Muita gente pede informações sobre os atrativos turísticos da cidade e cabe a nós recepcionistas explicar já que não temos material de divulgação para entregar,” conta

Turistas perdidos

A empresária Fátima Ramalho, 43 anos, visitou a cidade em companhia da família pela primeira vez. Natural de Pato Branco, Paraná, ela ficou desapontada com a falta de um Centro de Informações Turísticas em Araranguá. “É inadmissível que uma cidade turística e linda por natureza como Araranguá não tenha esse serviço. Ficamos perdidos sem ter a quem recorrer, pois até mesmo a secretaria de turismo estava fechada,” conta.

A Revista W3 também foi até a subsecretaria na última sexta-feira e conforme denunciou a turista, a porta que dá acesso ao órgão também estava fechada. A visita ocorreu por volta das 16h.

Prefeitura admite falhas

O sub secretário de cultura, Jair Anastácio se apresentou como responsável interinamente pela pasta de turismo. Ele recebeu a denúncia como surpresa e mostrou à reportagem dois modelos de folders, ambas publicações custeadas pelo Governo do Estado, através da Santur. Um dos materiais contém apenas informações resumidas sobre as festas e eventos da cidade, já o outro é uma espécie de guia de restaurantes e hospedagem. Segundo Jair estes dois tipos de folders foram disponibilizados em todo trade turístico durante o mês de janeiro. “Fizemos uma peregrinação entregando em todo trade turístico estes folders que foram conseguidos em parceria com o setor de turismo da Amesc,”. Jair não soube informar a quantidade que foi impressa do material e também reconheceu que o governo municipal não investiu recursos para a impressão de um material próprio de divulgação dos pontos turísticos locais.

Indagado sobre a falta de uma Centro de Informações Turísticas, o responsável afirma que a implantação do serviço estava sendo discutida. “Não implantamos o serviço antes porque estávamos discutindo o melhor local. O fato é que acabei de assinar a solicitação de compra de uma central de informações turísticas móvel-CAT,” explicou. A CAT estará pronta no entanto, segundo garantiu Anastácio, somente na próxima temporada.

Funcionária fantasma?

Em relação ausência da diretora de turismo, do setor estar de portas fechadas e das denúncias da falta de atendimento na subsecretaria, Jair saiu em defesa da colega e afirmou que a mesma ausentou-se momentaneamente para uma consulta médica. “Depois que assumi interinamente o setor, passamos a atender nas dependências da cultura, já em relação as ligações vamos investigar,” afirmou. O subsecretário não soube explicar no entanto, o motivo pelo qual não foi colocado uma placa de aviso na antiga porta da subsecretaria de turismo informando sobre o novo local de atendimento. 

Reportagem: Saulo Pithan

Fotos: Gabriela Silva