“Só vi quando o carro veio para cima de nós e o Dé (André Francisco Alves, motorista e vítima fatal do acidente) tentou desviar, batemos numa árvore, depois num poste e capotamos. Eu ainda consegui sair, mesmo sem estar consciente. Depois apaguei, não vi mais nada, nem ninguém.” Com o olhar distante e a voz embargada, é assim que um dos sobreviventes do acidente que tirou a vida de três jovens recorda dos últimos momentos antes de descobrir a tragédia em que estava envolvido.

Amigo de infância das três vítimas fatais, o sobrevivente que prefere não ser identificado, ficou sabendo da morte de André, Murilo e Thales apenas algumas horas depois, quando ainda estava internado no hospital. “Desde aquele momento eu não vi mais ninguém, não sabia o que tinha acontecido. Fiquei sabendo quando acordei no hospital, pela minha irmã”, recorda.

O jovem S.S.M., que permanece internado no HRA foi liberado na manhã de terça-feira, 27, para acompanhar o velório dos amigos. A reportagem da Revista W3 conversou com o sobrevivente com exclusividade e traz alguns detalhes inéditos da madrugada que promete ficar marcada na memória da região como uma das mais chocantes das últimas décadas.

O acidente

Pouco depois das duas horas da manhã de segunda-feira, 26, os jovens saíram de uma casa noturna em Balneário Arroio do Silva e seguiam para um posto de combustíveis na localidade de Sapiranga. No carro, um veículo Fiat Uno conduzido por André, estavam S.S.M. no banco do carona e no banco trás Murilo, Thales e uma adolescente de 15 anos. “Estávamos bem, conversando, fazendo festa. De repente, passou um carro por nós, seguiu na nossa frente e depois diminuiu a velocidade. Nisso, o Dé tentou ultrapassar, mas quando estávamos fazendo a ultrapassagem, o cara jogou o carro pra cima de nós e o Dé na tentativa de nos salvar, jogou o carro para o acostamento. Quando tentamos voltar para a pista não deu e acabamos sofrendo esse acidente,” recorda.

Segundo S., a partir daí, a única recordação é uma batida em uma árvore e depois em um poste. “A última coisa que me recordo é aquele carro fugindo. Tudo aconteceu muito rápido e a única coisa que me recordo é de que era um carro preto”, afirma.

O sobrevivente diz não entender o motivo do veículo ter provocado o acidente, já que em momento algum houve desentendimento ou confusão nos momentos que antecederam a tragédia. “Estava tudo certo, era pra ser só uma noite de festa. O Dé nem estava em alta velocidade, só acelerou para ultrapassar mesmo. Com relação à bebida, estávamos numa festa, se falar que não tínhamos bebido seria mentira, mas não estávamos bêbados. Não tinha motivo para acontecer o que aconteceu”, lamenta.

Recuperação

De todos os ocupantes do veículo, S. foi o que menos se feriu. Os três amigos, segundo o Instituto Médico Legal, tiveram traumatismo crânio encefálico. A adolescente também teve graves sequelas e permanece internada em estado grave na UTI do Hospital Regional. Já ele, teve um deslocamento no ombro e alguns arranhões no rosto, mas por questão de precaução, deve permanecer internado no hospital até o final da semana. “É uma situação muito difícil. Querendo ou não, o cara se sente culpado por estar junto e ter sido um dos sobreviventes. Éramos amigos desde criança, especialmente do Dé e agora viver isso é terrível, é uma dor que não vai passar nunca”, finaliza.

Relembre o caso

A semana iniciou trágica na região do Extremo Sul Catarinense. Logo nas primeiras horas de segunda-feira, 26, um acidente tirou a vida de três jovens. André Francisco Alves, Thales da Silva Oliveira e Murilo Florêncio, estavam no Fiat Uno, placas de Araranguá, com mais dois jovens, um rapaz de 22 anos e uma adolescente de 15 anos, que, segundo informações preliminares, bateu em uma árvore, em seguida em um poste de energia elétrica e depois capotou por diversas vezes.

André e Murilo faleceram na hora, já os demais, foram encaminhados para o Hospital Regional de Araranguá. Horas depois, por volta das 5h da manhã, Thales também veio a óbito. Até o fechamento desta edição, no início da tarde da última quarta-feira, 28, a adolescente permanecia internada em estado grave. 

Maiara Possamai

Arroio do Silva