Embora os avanços na construção de moradias e de políticas habitacionais desenvolvidas pelos governos como o “Programa Minha Casa, Minha Vida”, morar debaixo de pontes e viadutos ainda é uma realidade para muitas famílias no Brasil. Na maioria dos casos, as questões financeiras e pessoais, como o desemprego e a depressão, são alguns dos vários motivos que levam essas famílias a viverem escondidas atrás de colunas, em condições precárias, sujeitas à violência.

O casal, Ângelo Luiz Cardoso Nunes, 40 anos e Cristina Justo de Oliveira,34, vivem há pelo menos seis anos debaixo de viadutos. Eles perambulam no trecho que compreende o litoral norte gaúcho e o extremo sul de Santa Catariana, escancarando uma realidade latente, a falta de perspectiva e alternativa de uma vida melhor.

Foi com olhar triste e cabisbaixo que os moradores de rua receberam a Revista W3 na última segunda-feira, embaixo do elevado que dá acesso a Santa Rosa do Sul.  Em uma placa de papelão eles escreveram um apelo aos moradores da cidade, solicitando roupas e alimentos. “Nós sobrevivemos de doações e da venda de artesanato. Não pedimos dinheiro, mas comida para continuar sobrevivendo,” contou o homem.

Enquanto preparam uma panela de arroz, única refeição do dia, Ângelo e Cristiana resumem parte da trajetória de vida marcada pela dor e sofrimento. “Nos conhecemos há seis anos, em Três Cachoeiras-RS. Depois que meus pais morreram fui morar na rua pois não tinha para onde ir. Foi na rua que encontrei o Ângelo e vivemos juntos há seis anos, morando dentro de uma pequena barraca,” conta.

O homem revela que sempre tenta fazer alguns “bicos” e vende o artesanato feito em latinhas para comprar alimentos. A solidariedade dos moradores das cidades por onde passam também têm ajudado o casal a não morrer de fome. “Não foram poucas as vezes que passamos fome e não é uma escolha nossa viver assim, é falta de oportunidade,” explica.

O casal alimenta o sonho de conseguir um emprego em um sítio, onde planejam se dedicar ao trabalho no campo e viver uma nova vida. “Queríamos um sítio para cuidar e trabalhar. Minha maior vontade é sair das ruas e não ter mais que conviver com o medo de não ter comida no dia seguinte,” desabafa.

Ao final da entrevista, o casal reforçou o pedido de alimentos e roupas. Ele permanecem até sexta-feira no elevado de acesso a Santa Rosa do Sul. Interessados em colaborar podem se dirigir até o local.

Reportagem: Saulo Pithan

Fotos: Rafael Ribeiro