Há 22 anos a agricultura Isabel Gonçalves Ubiali, vivia um dos momentos mais desesperadores de sua vida. Ao lado do marido, foi chamada pelo pediatras a um canto do corredor do hospital, para receber a notícia de que as duas filhas tinham sido diagnosticadas com deficiência múltipla severa. “Fomos descobrir quase dois meses depois do nascimento delas. Pareciam normais mas logo começaram a ter crises convulsivas e vários problemas de saúde. Foi, possivelmente, a única vez em que perdi totalmente o controle do meu corpo, tremi da cabeça aos pés e chorei muito”, lembra.

Àquela altura, Isabel não fazia a menor ideia do que era a doença e sentia um medo enorme do futuro. Essa sensação foi esquecida há muito tempo, dando lugar a um sentimento imenso de amor e proteção. Os primeiros dois anos de vida foram de muitas idas e vindas ao hospital, que foi também a segunda casa das meninas. “Elas passavam muito mais tempo no hospital do que em casa. Tinham febre alta, choravam muito, sentiam falta de ar e se não agíssemos rápido poderia ser fatal. Os primeiros anos foram os mais difíceis porque não sabíamos como lidar com a situação. Os poucos recursos que tínhamos usamos para tentar amenizar o sofrimento delas,” relembra a mulher que abandonou a roça para dedicar-se exclusivamente às filhas. O pai das meninas acabou assumindo sozinho a lida no campo.

Condenadas à morte

Além de ter que aprender a lidar com as constantes crises convulsivas das gêmeas, Isabel precisou driblar uma notícia ainda mais triste, a da morte. Segundo os médicos, as garotas não viveriam além dos sete anos de idade e até lá continuariam sofrendo os reflexos da doença. Católica fervorosa, a mulher conta que curvou-se diante da Deus e começou a orar pedindo forças para superar os desafios que viriam. “Nunca pensei em desistir e busquei na fé as forças que eu precisava para continuar. Passei e ainda passo noites em claro vigiando delas. Nestes 22 anos não há uma noite sequer que eu tenha dormido tranquila, mas não me arrependendo de nada, pois meu amor é muito maior do que qualquer esforço. Minha única preocupação é não mais estar aqui para cuidar delas, “se emociona.

Ajude

A família vive em uma residência humilde, na Estrada Geral do Cedro,  no interior de Maracajá. A pequena casa de madeira não oferece o conforto que as garotas necessitam, pois as condições financeiras não favorecem. A dedicação e o amor que a família nutre pelas gêmeas no entanto, compensam qualquer dificuldade. As camas são especiais e as cadeiras de roda também. Na sala da casa um grande colchão foi improvisado no chão para acomodar as meninas que falam apenas com o olhar. “A gente se comunica pelo olhar. Aprendi nestes 22 anos a entender o que elas querem,” conta a mãe falando sobre a linguagem mais universal, a do coração.

Devido ao excesso de calor, as meninas que dividem um pequeno quarto de pouco menos de 4 metros quadrados, sofrem com as altas temperaturas. Crises convulsivas são mais comuns e pelo corpo aumentaram as feridas. O sonho da mãe é poder dar mais conforto às filhas especiais e um ar condicionado seria o essencial. Outra necessidade é uma máquina de lavar roupas já que a antiga queimou depois de 10 anos.

Quem puder colaborar pode entrar em contato pelo telefone 48- 8462 4497. 

Saulo Pithan

Rafael Ribeiro