Maiara Possamai
Araranguá

Fotos: Fernanda Rocha

Ela passou algum tempo esquecida, meio que em segundo plano, mas infelizmente, ainda precisa ser lembrada pela população. Na semana da data mundial de combate à Aids, novos números foram divulgados em todo o país e deixaram um alerta geral: o número de jovens infectados pela doença está aumentando a cada ano, especialmente entre o público homossexual do sexo masculino.

Em entrevista ao Fantástico, no último domingo, o secretário de vigilância do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, afirmou que a taxa de detecção de Aids entre jovens de 15 a 24 anos vem crescendo em uma velocidade bem maior do que na população em geral.

O aumento é de mais de 50% em seis anos. “O comportamento sexual dos jovens é o principal fator desta realidade. Os jovens de hoje acham que não se morre mais de Aids e que se forem infectados é só tomar o medicamento que está tudo bem, mas não é bem assim. A Aids não tem cura e os remédios que controlam a doença, além de provocarem efeitos colaterais, causam problemas pelo resto da vida, inclusive com alterações estéticas. Enfim, são problemas que o paciente terá que levar pelo resto da vida”, destaca a coordenadora do programa DST, HIV, Aids e Hepatites Virais de Araranguá, Tiane Ramos do Canto.

O tamanho da bula já assusta, imagine então as reações que os medicamentos ao tratamento de infecção pelo HIV podem causar no organismo? Entre algumas delas estão: infecções e infestações, alterações no sangue e sistema linfático, sistema imunológico, alterações psiquiátricas, no sistema nervoso, na pele e no tecido subcutâneo, alterações renais e urinárias, no sistema reprodutivo e mamas, além de diversos outros sintomas envolvendo várias partes do organismo, como coração, intestino e sistema respiratório. “As alterações nos pacientes que usam medicação não são apenas internas, mas também estéticas. O alerta, especialmente para os jovens, é de que não há como levar uma vida normal com o vírus HIV. Todos os medicamentos utilizados no tratamento causam sintomas que vão desde mal estar, até mudanças estruturais no corpo da pessoa”, alerta.

Testes rápidos

Se antigamente era preciso aguardar o resultado por semanas, hoje, não é mais assim. Em menos de 20 minutos, é possível saber se você está, ou não, infectado pelo vírus HIV. Em Araranguá a realização de testes rápidos está sendo intensificada nesta semana, com mutirões já realizados na segunda e terça-feira e também durante a noite de hoje, das 18 às 21 horas. Além disso, durante o restante do ano, a testagem pode ser realizada nas quartas e quintas-feiras, das 8 às 11h30min. “Estes testes estão à disposição da população e não demandam requisição, nem agendamento. Basta apresentar a carteirinha do SUS e um documento com foto”, explica Tiane.

Números

Em Santa Catarina, conforme índices divulgados pelo Diário Catarinense, o número de pessoas de 15 a 19 anos portadores da doença aumentou em 56% no estado no período entre 2012 e 2013. Desde o início deste ano até outubro, foram 50 novos casos diagnosticados. 

Em Araranguá, atualmente, há 277 pacientes em acompanhamento no Serviço de Atendimento Especializado, que participam frequentemente das ações e mantém o acompanhamento pelo programa. Somente em 2014, na faixa etária de 10 a 39 anos, 70 novos casos foram detectados. “Sabemos que o número é ainda maior, pois muitas pessoas preferem buscar tratamento fora da cidade a fim de preservar sua identidade e ficam de fora dos índices do município”, destaca a coordenadora.

Prevenção

Os testes rápidos só podem ser realizados num período mínimo de 30 dias após a relação sexual, porém, um kit disponibilizado pela rede pública de Saúde pode prevenir a contração do vírus HIV. O medicamento chamado profilaxia pós-exposição evita que o vírus penetre o organismo da pessoa. Porém, os efeitos colaterais e riscos à saúde também são bastante significativos, por isso, este tipo de prevenção não deve ser adotado com frequência.

“A melhor prevenção continua sendo, sem dúvida alguma, a utilização de preservativo. Esta é a única e mais eficaz maneira de evitar o contágio não só do vírus HIV, mas de diversas outras doenças tão graves quanto a Aids”, finaliza Tiane.