Maiara Possamai
Araranguá

500 alunos e apenas 10 salas de aula, sem contar a estrutura antiga, as paredes descascadas e o pátio degradado pelo tempo. Esta é a atual realidade da Escola de Educação Básica Neusa Ostetto Cardoso, no bairro Polícia Rodoviária, a quinta maior de Santa Catarina. Apesar de caótica, esta situação está prestes a mudar e transformar a escola em uma das poucas do estado modelo padrão A do Ministério da Educação.

O tema tem sido fortemente debatido nas últimas semanas e foi a principal discussão na pauta da primeira sessão ordinária do mês na Câmara de Vereadores de Araranguá. “Estamos lutando pela implantação deste projeto há um ano e meio, mas encontramos diversos entraves pelo caminho. Fomos atrás das escrituras e documentações do terreno e descobrimos que a escola tem nove escrituras, sendo que destas, seis têm problemas com os registros. Mesmo correndo atrás de tudo, ainda não conseguimos legalizar duas escrituras, por isso, o caminho mais rápido seria a aquisição de um novo terreno, principalmente porque o nosso atual é menor do que o tamanho exigido para as escolas padrão A. Para isso, dependemos da parceria da administração municipal”, explica a diretora, Maria José.

Na sessão do Legislativo, os vereadores aprovaram a Lei de Diretrizes Orçamentárias, cuja emenda aditiva nº 6, de autoria do vereador Cabo Loro, prevê a aquisição de dois hectares de terra, no bairro Polícia Rodoviária, próximo à BR-101, para posterior doação à escola, e construção do Colégio Modelo A. O valor aplicado é R$ 500 mil, resultado da transposição do recurso da secretaria de Obras para a secretaria de Educação. “Como será uma obra licitada e realizada pelo governo do estado, com recursos do governo federal, peço que a comunidade fiscalize a obra para que os recursos utilizados sejam investidos nos melhores materiais”, ressaltou o presidente do Legislativo, Ozair Banha da Silva.

Luta contra o tempo

A preocupação da diretora e de toda a comunidade escolar do bairro Polícia Rodoviária é com relação ao tempo, uma vez que com a sinalização positiva dos governos estadual e federal, o principal pré-requisito a ser cumprido seria justamente a aquisição do terreno para a construção da nova unidade. “Temos até março para estar com o local e toda a documentação prontos para conseguirmos o projeto, por isso, estamos numa corrida contra o tempo. Já procuramos e encontramos alguns possíveis terrenos, agora esperamos pela administração municipal. Se a prefeitura não nos ajudar agora, só daqui a dois anos poderemos entrar novamente na lista de espera e tentar conquistar este projeto do MEC”, destaca a diretora.

Segundo ela, a perspectiva é de que com o novo prédio, a escola possa atender um maior número de alunos não apenas do bairro Polícia Rodoviária, mas das demais localidades, facilitando a rotina dos pais e alunos. “Hoje, as turmas já estão apertadas dentro das salas, pois algumas são menores do que o tamanho mínimo recomendado. Para o próximo ano, deveremos ter um aumento na demanda de alunos e o mesmo número de salas, isso nos deixa angustiados, por isso, sonhamos tanto com uma escola nova, mais ampla, com condições de atender bem todos os nossos alunos”, finaliza.

Sensibilizados

Os vereadores de Araranguá se mobilizaram pela causa, tanto que, aprovaram por unanimidade a emenda que prevê a destinação de R$ 500 mil dos cofres municipais à aquisição do terreno para a nova escola. A mobilização no Legislativo partiu do autor da emenda, vereador Lourival João, o Cabo Loro, que desde o início esteve engajado na causa junto com a comunidade escolar. “Fomos até a escola no município de Turvo, que segue os padrões do Ministério da Educação e ficamos impressionados com a estrutura. O impacto entre esta unidade que é modelo, e a escola do bairro Polícia Rodoviária é muito grande, por isso, entramos na luta imediatamente. Esta será a primeira vez em muito tempo que teremos todas as condições favoráveis para trazer boas notícias aos moradores da localidade, não podemos desperdiçar esta oportunidade”, ressalta.