O início da manhã desta terça-feira (18) foi de tristeza para a família de Henrique e Zenir Machado Ribeiro. Moradores da comunidade de Costa da Lagoa, o casal viu o fogo consumir a esperança de uma boa safra de fumo.  A situação deles se soma a de muitas famílias que plantam fumo e nas últimas semanas viram incêndios consumirem o trabalho de meses.

Zenir conta que por volta das 8h o marido identificou fumaça que saia da estufa. Optaram em não mexer para não colocar suas vidas em risco e acionar o Corpo de Bombeiros. Em quase 30 anos na fumicultura foi à primeira vez que vivenciaram a tragédia de perder todo o trabalho em um incêndio, mas a mulher conta que muitos amigos já sofreram com esta situação.

Eles haviam feito a colheita de parte do fumo e descarregado. Colheram mais cerca de cem arrobas e colocado na estufa mais antiga, já que possuem duas. Eram os fumos de melhor qualidade que estavam na estufa que pegou fogo. Sem seguro, Zenir calcula que o prejuízo foi de cerca de R$ 10 mil com o fumo, além da estrutura da estufa. “Estávamos contentes que nesta safra havia dado fumo bom. Havia esperança de quitar as dívidas e ter um lucro depois de tantos problemas com a fumicultura. Além das dificuldades e cobranças, agora esta situação. É só pedir força e saúde para conseguir tocar a vida adiante”, descreve a agricultura, que junto a família torce por uma boa safra de mandioca a fim da situação financeira não ficar ainda mais comprometida.

Com uma legislação cada vez mais rigorosa, ela calcula que a família pode não investir na segunda estufa e levar os trabalhos apenas com a outra.  A família agora tem menos da metade da plantação para colher e com uma qualidade inferior ao fumo que queimou.

Em torno de 9h30min, os bombeiros já haviam conseguido controlar o fogo e evitar que o incêndio atingisse o resto da estrutura, que compõem uma varanda e a outra estufa. A guarnição composta pelo chefe de socorro soldado Juliano, soldado Grechi e BCP (Bombeiro Comunitário Profissional) Almeida, constata a grande ocorrência de incêndios em estufa nas últimas semanas e que o número de atendimentos tem sido superior ao da temporada no ano passado, que abrange o período de cerca de outubro a janeiro.

Guarnições como a de Turvo também tem trabalhado intensamente em casos de incêndio de estufas de fumo, já que na área de atuação existem muitos fumicultores.

Texto e fotos - Colaboração: Renata Angeloni

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