Santos Dumont foi um homem criativo e obstinado, como é da natureza de todos os inventores. Na época a a maioria deles dispensava a educação formal. A intuição, aliada ao autodidatismo e à benéfica teimosia de não desistir diante das dificuldades eram suficientes para gerar grandes descobertas. O inventor assemelha-se a um artista, a quem a observação do mundo e o talento inato bastam para levar adiante grandes obras.
Contudo, outros brasileiros com esse espírito passaram despercebidos por falta de apoio e oportunidade. Qual a razão do sucesso ou fracasso de uma invenção e de seu criador? inventar custa caro, pois depende de experiências e protótipos, às vezes mal sucedidos. Outro fator é o apoio que o inventor obtém em seu meio e sociedade. Mesmo sem grande incentivos, os inventores continuam criando e modificando realidades a sua volta. A Revista W3 vai mostrar em mais esta série que a região é berço de grandes talento da invenção. Acompanhe:

Ecologicamente correto

Os cientistas cada vez mais batem na tecla: É preciso ter mais atitudes ecologicamente corretas para salvar o planeta. A poluição, que vem sendo praticada desde o início da sociedade moderna, vai desde o gás carbono jogado na atmosfera ao esgoto despejado diretamente no solo, poluindo o lençol freático. Porém, para contribuir positivamente com o meio ambiente, além de boas ideias, também é necessário vontade.

O bom exemplo vem de Maracajá, onde um comerciante resolveu criar uma invenção ecologicamente correta.

 Assistindo todos os dias a funcionária da padaria jogar óleo de cozinha pelo ralo, o gerente de um supermercado, Marcelo Freitas, achou uma solução para dar destino correto ao óleo usado, e que ainda trouxe benefício financeiro. “Eu já conhecia esta tecnologia há muito tempo e um dia esta ideia veio a cabeça, então resolvi testá-la”, recorda.

Se ia dar certo ele ainda não sabia  mas pessoas que nascem para fazer o diferencial, não temem um possível revés. Com paciência, Marcelo arquitetou o projeto com uma missão: transformar o óleo de cozinha em biodiesel. “Eu sabia que o óleo in natura (Nunca utilizado) poderia ser transformado em diesel”, revela Marcelo. O desafio então estava lançado, descobrir se era possível transformar produzir diesel e dar um destino correto ao óleo de fritura.

“Eu possuo um laboratório em casa, e com meu próprio conhecimento, fui elaborando o projeto de reutilizar o óleo usado”, conta. A ideia simples saiu do papel, e em casa ele montou uma máquina capaz de separar a glicerina, um composto orgânico, do óleo, o que resultaria no biodiesel.

Apesar de não ter inventado algo, Marcelo pode ser considerado visionário. De uma ideia simples, a colocou em prática e hoje economiza. A bordo de uma caminhoneta S10, ele deixou de gastar até R$ 500,00 por mês. Desde que fez a máquina, há dois anos, já economizou em média R$ 12.000,00 em combustível.

Histórias como essa, mostram que na sociedade em que vivemos, é possível ser autossustentável, e ainda, não gastar nada a mais por isso.

Reportagem: Felipe Balthazar

Fotos: Rafael Ribeiro