Você precisa usar o telefone celular e com gestos rápidos, o aparelho é destravado. O número do contato é digitado e pasme do outro lado da linha a operadora informa: “Este número está desligado ou fora da área de cobertura”. Como bom brasileiro você não desiste e tenta novamente até conseguir completar a ligação.

O trecho descrito acima é a realidade e também a rotina enfrentada por milhares de pessoas que precisam usar o celular todos os dias. Em Araranguá, usuários do serviço de telefonia móvel convivem com este drama há mais de dois anos, no entanto nos últimos seis meses a situação ficou ainda pior. É caos da telefonia móvel chegando ao interior do Estado. Por aqui, os telefones fixos ou públicos, tidos como obsoletos para quem tem celular, agora são únicas alternativas para se comunicar com alguém.

Tim: Viver sem comunicação

Líder disparada de reclamações junto aos órgãos de defesas do consumidor, a operadora Tim ignora os apelos e reclamações. Enquanto isso, empresas, governo e consumidores trocam acusações. 

Segundo cálculo do Procon Araranguá, na Cidade a TIM detém em média quase três linhas por habitante, o que poderia explicar a péssima qualidade do sinal.  Mas nesta leva não entram apenas casos de sinal ruim. Serviço indispensável, muitas pessoas estão sendo prejudicadas pela péssima qualidade do serviço da operadora. É o caso de Marcelo Fabiano Osório de Oliveira. Há dois meses ele mudou-se de Xangrilá-RS, para Araranguá em busca de novas oportunidades.

Na última semana, o rapaz conta que perdeu três propostas de emprego devido ao sinal da Tim que simplesmente não existe na localidade onde mora, no bairro Urussanguinha. “No Rio Grande do Sul eu também usava Tim, e o serviço deles é ótimo por lá. Mas aqui, desde que eu cheguei, o serviço só tem me desapontado”, frisou. “Eu tinha três propostas de emprego, e não consegui pegar em nenhum deles, porque onde moro não pega sinal da Tim”, concluiu.

Para efetuar e receber ligações, o rapaz precisa fazer uma verdadeira maratona.  Apesar de ter perdido oportunidade de emprego, não desistiu e já está empregado. Ele planeja agora ir ao Procon pois sente-se lesado. ‘Vou em busca dos meus direitos e aconselho cada pessoa que se sentir lesada fazer o mesmo,” explica.

Procon confirma reclamações

“É sempre recorrente reclamações de sinal ruim da operadora Tim. Na Claro a principal reclamação é no modem de internet. Já a Vivo não tem reclamação”, afirmou o diretor Executivo do Procon de Araranguá, Vicente Marcon. Ao todo, de julho de 2013 a agosto de 2014, 33 pessoas fizeram algum tipo de reclamação contra a Tim ao órgão municipal de defesa ao consumidor. Apesar do número não ser tão expressivo, estes dados foram anexados ao inquérito civil, instaurado pelo Ministério Público no final de 2012.

Além disso, o Procon abriu uma CIP (Carta de Investigação Preliminar) no dia 18 de outubro de 2013, para pedir as operadoras a regularização do serviço e melhorias na rede. A resposta da Tim, em novembro deste ano, foi a seguinte. “A Anatel é a responsável por medir a qualidade do sinal. Por isso, a própria legislação verifica que a Tim presta com qualidade o serviço em Araranguá”.

Anatel defende melhoria do serviço

A reportagem da revista W3 entrou em contato com a Anatel, a Agência Nacional de telecomunicações buscando esclarecimentos do serviço prestado pela Tim em Araranguá. A resposta genérica da agência veio por meio da Assessoria de Imprensa, no qual lembrou que “a Anatel impôs a todas as prestadoras a obrigação de apresentação de um plano nacional de ação com medidas capazes de garantir a melhoria na qualidade do serviço”.

Além disso, a agência acredita na melhoria do serviço para os próximos anos. “Os resultados estão em fase de avaliação e, caso não ocorra uma evolução positiva, novas medidas restritivas podem ser adotadas pela Agência. Ressalta-se, porém, que as propostas apresentadas pelas prestadoras envolvem ações que devem refletir em resultados positivos em longo prazo”.

Reportagem: Felipe Balthazar

Fotos: Rafael Ribeiro/Fernanda Rocha