Um crime escabroso e repugnante. Assim definiu o delegado de Polícia Civil, Luis Otávio Pholmann, o caso que há pouco mais de uma semana vem sendo investigado pelo setor de inteligência da Polícia Civil de Sombrio. A notícia de que uma mulher de 35 anos matou o próprio filho depois de ter dado a luz ao recém-nascido e coloca-lo ainda com vida dentro de uma geladeira  foi dada no início desta tarde, durante entrevista coletiva à imprensa.

Segundo o delegado, o crime ocorreu no dia 28 de julho, mas só agora foi divulgado porque a mãe acabou confessando na última sexta-feira a prática criminosa. Durante a coletiva Pholmann revelou detalhes da ocorrência que chocou até mesmo os policiais civis que atuaram no caso. “Fomos acionados para atender a ocorrência de um crime de aborto. Uma mulher teria dado entrada no Hospital Regional de Araranguá e a média que a atendeu vislumbrou a possibilidade de aborto. Foram realizadas diligencias com intuito de encontrar o corpo do menino, inclusive em açudes e na mata próxima a casa da mulher que vive no interior de Sombrio, no entanto nada foi encontrado,” explica.

Ainda segundo o delegado, após quatro dias de intensas buscas, quando já não restavam mais esperanças de encontrar o feto, a mãe do menino resolveu fazer a entrega do pequeno cadáver à Polícia Civil. “A criança foi apresentada à Polícia dentro de um saco plástico que estava depositado na geladeira. Antes disso a mulher contou que o feto tinha sido alojado em um freezer, para que ela tivesse tempo de pensar qual o destino daria ao corpo. O cadáver ficou quatro dias congelado dentro do freezer, no interior da casa da residência, onde ela mora sozinha com os dois filhos, um de 05 e outro de 14 anos,”contou.

Revelações surpreendentes

Na tentativa de camuflar o crime, a mulher afirmava à Polícia Civil que não estava grávida e tampouco havia dado a luz. Segundo o delegado, ela escondeu da própria família a gestação e cometeu o crime sozinha. O Instituto Médico Legal-IML, fez o recolhimento do corpo e concluiu através de  análises, que se tratava de uma menina que nasceu aos oito meses de gestação pesando aproximadamente 2,4kg. A mulher teria colocado a filha ainda com vida dentro do freezer. “Foi quando abandonamos a hipótese de aborto e passamos a investigar os crimes de infanticídio ou homicídio, que ficará esclarecido após a análise psiquiátrica que será emitida por profissionais capacitados,”revelou.

A Polícia busca descobrir agora se a mãe da vítima  estava ou não em estado puerperal. Estado puerperal é o período que vai do deslocamento e expulsão da placenta à volta do organismo materno às condições anteriores à gravidez. Em outras palavras, é o espaço de tempo variável que vai do desprendimento da placenta até a involução total do organismo materno às suas condições anteriores ao processo de gestação.

Puerpério vem de puer (criança) e parere (parir). Importante frisar que o puerpério não quer significar que sempre seja acarretado por uma perturbação psíquica, sendo necessário que fique averiguado ter está realmente sobrevindo na capacidade de entendimento ou autodeterminação da parturiente, ficando clara a seguinte decisão jurídica nesse sentido:

A morte do recém-nascido sob a influência do estado puerperal, se enquadrará na figura típica do infanticídio.

O delegado esclareceu que a análise psiquiátrica já foi feita, contudo o resultado ainda não chegou. “Se ficar provado que ela tinha domínio sobre suas atitudes, ficará comprovado homicídio,” explicou o delegado.

Família desestruturada

Durante as investigações a Polícia Civil descobriu que a mulher convivia em uma ambiente familiar desestruturado, o que pode ter colaborado para o cometimento do crime. Há pouco mais de dois meses ela teria perdido o marido que se suicidou e o filho de cinco anos sofre de distúrbios psicológicos.

Detalhes de um crime brutal

No segundo depoimento à Policia Civil, quando resolveu confessar o crime, a mulher revelou detalhes da brutalidade. Ela teria dado a luz no banheiro de casa e usando uma faca cortou o cordão umbilical, posteriormente colocando a menina recém-nascida em uma sacola plástica e depositando no freezer da cozinha. Após sentir-se mau pediu apoio dos vizinhos e foi encaminhada ao Hospital Regional de Araranguá.

A identidade da mulher não será fornecida para evitar situações como linchamento da acusada que poderá ser indiciada pelo crime de infanticídio ou homicídio, dependendo do resultado do exame psiquiátrico. A Polícia Civil tem prazo de trinta dias para concluir o inquérito que já dura há dez dias, no entanto o delegado acredita que já na próxima semana consiga finalizar  a investigação. “Uma coisa já posso adiantar. Ela responderá pelo crime de ocultação de cadáver,”conta.

A identidade do pai da menina não foi fornecida pela mulher e segundo a Polícia é uma informação que não interfere na investigação policial, tendo em vista que não há indícios da participação dele no crime.

Reportagem: Saulo Pithan

Fotos: Rafael Ribeiro