Centena de pinguins foram encontrados mortos na beira do mar nesta terça-feira, 20. O fato foi constatado por pescadores e populares, entre as praias de Balneário Arroio do Silva e Morro dos Conventos.

Os pinguins encontrados na praia são da espécie Spheniscus magellanicus, mais conhecidos como pinguins de Magalhães. São naturais do sul da Patagônia e quando adultos podem medir em média entre 11 e 17 cm e pesar em média 4 quilos cada animal.

Pinguins chegaram mortos na praia / Foto: Anderson Machado  

Segundo especialistas, entre os meses de maio a outubro é comum encontra-los nas praias do Sul do Brasil. Estudos apontam que a mortandade faz parte de um ciclo natural e pode acontecer em quantidade a cada cinco anos.

Em 2015, por exemplo, foram registradas a morte de milhares de pinguins em diversas praias de Santa Catarina em um único dia. Quem acompanha o fenômeno de perto é o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS).

Registros ocorreram entre o Arroio do Silva e Araranguá  / Foto: Anderson Machado  

O coordenador do PMP-BS, Pedro Volkmer de Castilho, estima que aproximadamente 30 mil pinguins acabam morrendo todos os anos nas praias de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul. Sempre coincidindo com a influência da massa de ar polar na região. 

“Eles vivem em grandes colônias. Geralmente são jovens e não tem muita experiência. Esse grupo decide deixar as águas geladas da patagônia para vir para mares que lhe ofereçam alimento e temperaturas mais elevadas. Nesse percurso aproveitam as correntes marítimas. Uma parte do grupo acaba não conseguindo acompanhar os demais. Por não se alimentar, cansam e acabam morrendo”, explica Volkmer.

Ainda de acordo o coordenador, não está descartada uma segunda hipótese para a morte dos pinguins, embora remota, mas possível, o fato de eles terem sido vítimas da ação do homem, como ter caído em uma rede de pesca, por exemplo.

De olho no mar

O projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), avalia a interferência das atividades de produção e escoamento de petróleo realizadas no Pré-sal da Bacia de Santos sobre as aves, tartarugas e mamíferos marinhos, através do monitoramento das praias e do atendimento veterinário a animais vivos e mortos.

Durante o monitoramento, todos os animais vivos encontrados pelas equipes de campo são avaliados para verificar se precisam de atendimento veterinário. Se positivo, são então encaminhados a uma das14 instalações da Rede de Atendimento Veterinários distribuídas entre Araruama/RJ e Laguna/SC.

Após o tratamento, os animais são novamente avaliados para atestar se já estão aptos a serem soltos, o que ocorre após a marcação de cada um dos indivíduos. Isso permite que seja feito um acompanhamento, caso o animal reapareça em outra região.

Nos animais mortos é realizada necropsia para identificar a causa da morte e avaliar se houve interação com atividades humanas tais como pesca, embarcações e óleo.