“Minha vida sempre foi muito difícil, minha família era totalmente desestruturada, eu fui espancada, fui estuprada, sofri muito, passei fome, frio. Vim para cá na busca de um caminho melhor, conheci o pai da minha filha. Até então, meu único problema de saúde – pelo menos que eu sabia – era a deficiência para me locomover. Meu grande sonho era ser mãe, quando engravidei as coisas se complicaram. Foi uma gestação muito difícil, tive várias complicações, os médicos diziam que eu não iria sobreviver, mas eu levei adiante. Quando eu ganhei minha filha, minha doença avançou. E começou a luta para ter um diagnóstico preciso. Isso foi há dois anos e, de lá para cá, eu não tenho mais vida. Sinto dor direto, não consigo comer, não posso brincar com a minha filha. Estou em cima de uma cama, sentindo dor direto, que nem com morfina passa, não tenho laudo médico. Os médicos só me dizem que vou morrer, mas não sabem me dizer porquê. Não sei mais o que esperar da vida”. Este relato é da jovem Tainara Mendes, de 25 anos, que sofre de uma doença degenerativa, e que, segundo os médicos, tem apenas mais três anos de vida.

Moradora de Içara, ela passa por um momento muito delicado e a sua história tem repercutido nas redes sociais nos últimos dias. Em entrevista ao programa Linha Verdade, Tainara fez um pedido de socorro. “Eu quero mais tempo e qualidade de vida para eu estar com a minha filha. O médico disse que eu tenho mais três anos de vida e cada vez eu pioro mais. Eu preciso me agarrar a uma esperança de que eu vou viver mais. Faz três dias que eu não vejo a minha filha, porque quando ela chega eu estou dopada. Ela sabe que eu estou doente, pergunta se eu estou com dor e eu não tenho como esconder. Isso não é viver. Eu preciso me agarrar nesta esperança”.

A esperança que ela cita, além da fé, é uma consulta com um neurologista, com especialização nesta área, que atende em Tubarão, e que poderia iniciar um tratamento para amenizar os efeitos causados pela doença, proporcionando uma qualidade de vida melhor a ela. “Existe um remédio que pode ajuda-la, a cura não existe, mas com esse medicamento ela poderá viver um pouco melhor”, relata a sogra da jovem, com quem ela mora, Patrícia Machado.

Segundo Patrícia, para ter uma vida melhor, além da consulta com este especialista, Tainara precisaria ser submetida a um exame que irá mapear todos os músculos de seu corpo, que custa mais de R$ 1 mil de mais algumas coisas. “Nós temos uma série de despesas. A renda dela é R$ 980, temos um gasto só com remédios de R$ 300 por semana, ou seja, não dá nem para pagar os medicamentos. Estamos tentando conseguir na justiça. E para uma qualidade de vida melhor, ela também precisa de uma cama hospitalar. Além disso, doações de alimentos também serão bem-vindas, porque por mais que precise triturar tudo para ela comer, ela precisa se alimentar com frutas, verduras e proteína”, explica.

Quem puder e quiser colaborar de alguma forma, pode entrar em contato pelo telefone (48) 99826.7772.

Vida difícil

 “A Tainara já era cadeirante quando meu filho conheceu ela, eles se apaixonaram e começaram a namorar. Deste relacionamento, surgiu a gravidez e foi onde apareceu todas complicações. Durante a gestação, a doença dela começou a desenvolver – que até então nós desconhecíamos – e ela começou a ter problemas musculares, mais especificamente, a morte múltipla dos órgãos. A doença dela é congênita, degenerativa, que ela tem desde que nasceu, mas só descobriu na gravidez. Hoje ela não anda mais, nem os braços consegue mexer, também não consegue mastigar alimentos. O nervo do pescoço, o estômago, a bexiga, tudo foi afetado”, relata a sogra.

A filha de Tainara, Vitória, também nasceu com problemas de saúde. “Ela não poderia ter engravidado, devido aos problemas que tinha e a menina nasceu com alguns problemas. Hoje ela tem platina nos dois lados da perna, a gestação já foi bem complicada, pois não tinha espaço na barriga para toda a formação do bebê, então a Vitória nasceu com má formação genital, que terá que ser corrigida com cirurgia e que provavelmente terá que ser feita em um hospital de outra região do estado”, conta.