A relação do ser humano com o meio ambiente nem sempre buscou a preservação do planeta. De algum tempo para cá, questionar velhos hábitos e agir de maneira consciente se tornou mais comum, mas ainda está longe do ideal. Ultimamente é comum pensar sobre o consumo dos canudos e das sacolas do mercado, mas o plástico está por todo lugar e não é fácil se livrar dele. Um das saídas para isso, é a reciclagem.

Embora a pratica na região seja muito tímida, há uma série de vidas que dependem dela. Algumas instituições de cunho social, buscam por materiais recicláveis, pois enxergam neles esperança. Revertem tampinhas, garrafas, latas, papeis e muitos outros materiais que normalmente param no lixo, em recursos para quem precisa. E uma delas é a Adear (Associação dos Deficientes Físicos de Araranguá).

A instituição existe há 37 anos e possui mais de 500 associados em toda a região da Amesc. Além de produzir as carteirinhas de passe livre intermunicipais, ela empresta cadeiras de rodas e de banho, muletas, andadores e colchões especiais para portadores de deficiência. O dinheiro para comprar os equipamentos é retirado da venda de recicláveis.

Segundo a presidente da Adear, Dilma Silveira de Freitas, graças a reciclagem, muita coisa pode ser feita. “Aceitamos todos os recicláveis, garrafa PET, papelão, papeis, lacre de latinha, cartelas de remédio e vidro. Através da venda deles e do trabalho voluntário, a Adear consegue atender muita gente e com uma equipe técnica, preparada para dar suporte".

Atualmente a instituição vem se reestruturando, já que no ano passando sofreu uma série de furtos. “Tivemos três vezes a nossa sede arrombada. Levaram praticamente tudo. Ao todo foram 20 cadeiras de rodas, impressora e até documentos levados. 22 garrafas com lacres de latinha também foram furtadas, para se ter noção, precisamos de 140 para a compra de uma única cadeira”.

Solidariedade

Para continuar exercendo o trabalho, a instituição pede que a população se solidarize e ajude trazendo os recicláveis. Através das ações da secretaria de Meio Ambiente do Arroio do Silva, que abraçou a causa, a Adear está vendo ainda mais resultados. “Uma semana antes de realizar o Trashtag Challenge nas praias do Arroio do Silva - um evento que ocorre no mundo todo, que promove mutirões de limpeza em espaços públicos – eu tive o conhecimento da ação da Adear. Para nós, foi unir o útil ao agradável. Tivemos a oportunidade de dar o descarte correto para os resíduos encontrados e ainda por cima, ajudar esta instituição que é tão importante”, salienta Helen Becker, diretora da pasta.

No Arroio, é possível encontrar diversos pontos de recolhimento pelo município. Os recicláveis podem ser deixados na prefeitura, Centro de atendimento ao Turista, secretaria do Meio Ambiente e nas Unidades de Saúde. Lá podem ser depositados cartelas de remédios, lacres de alumínios e garrafas PET.

Já para quem mora em Araranguá, é possível levar diretamente na Adear. Que fica localizada no bairro Urussanguinha, na rua General Bento Gonçalves, ao lado da escola Professora Dolvina Leite de Medeiros.

Outra atitude que traz ainda mais força ao projeto, é a do engenheiro Aufrani Cardoso, que está contribuindo para que o local seja adaptado. “A rampa que está sendo construída precisa de alguns ajustes para se tornar ideal. Precisamos deixar a inclinação menor para que os cadeirantes tenham segurança ao passar por ela. É um trabalho essencial para a instituição. Fazer parte disto e ver frutos que isso irá dar é muito gratificante, é uma causa muito nobre e incentivo que todos ajudem, independente do jeito que for”, finaliza.