No dia 25 de janeiro uma tragédia anunciada abalou o Brasil. A Barragem B1 da mina do córrego do feijão se rompeu. Aproximadamente quatro milhões de metros cúbicos de rejeito, resultante da mineração de ferro, engoliram uma área rural da cidade de Brumadinho, região metropolitana de Belo Horizonte.

O saldo dessa tragédia contabiliza até agora 186 mortos, que já foram identificados, e 122 pessoas ainda estão desaparecidas. Sem contar os danos a natureza que são incalculáveis. A empresa multinacional Vale do Rio Doce é a responsável pela barragem que se rompeu.

Doze estados se colocaram à disposição do Governo de Minas Gerais para o resgate de vítimas e de corpos dos desaparecidos. Santa Catarina é um deles. A reportagem do Grupo W3 conversou com o 1ª Tenente Daldrian Scarabelot em Balneário Arroio do Silva. Ele é natural do município de Turvo, mas trabalha no 10º Batalhão de Corpo de Bombeiros Militar de São José, região metropolitana da grande Florianópolis.

Acompanhe a entrevista:

Como surgiu a oportunidade de trabalhar em Brumadinho?

A decisão partiu do Corpo de Bombeiros Militar de Santa Catarina em um aporte ao governo de Minas Gerais. Isso aconteceu por ser uma situação bem específica, a atuação em um rompimento de uma barragem. Nós temos aqui no Estado uma força tarefa que é dividida em 14 batalhões. Esses grupos são treinados nesse tipo de evento, depois são classificados por um ranking e ficam à disposição da instituição.

Como aconteceu o deslocamento da equipe e equipamentos até Brumadinho?

Nossa ida aconteceu de micro-ônibus. Toda a logística aconteceu por via terrestre. Só para ressaltar nós fomos a quarta equipe a chegar em solo mineiro. Outras três equipes já haviam levado todo o aparato técnico necessário para os serviços no local.

O que mais te impressionou ao chegar lá?

Foi a grandiosidade do trajeto percorrido pela lama e o estrago deixado na região decorrente da passagem da lama.

Como foi a atuação no local da tragédia?

Nosso grupo de Santa Catarina era composto por 12 bombeiros: três oficiais e nove praças. Assim que recebemos informações dos bombeiros de Minas Gerais, dividimos a equipe em três frentes para a realização de buscas em lugares específicos. Na primeira tarde encontramos partes de corpos de desaparecidos.

O que a tragédia de Brumadinho deixa de lição para o Corpo de Bombeiros de Santa Catarina?

Esse contato com o cenário, a proporção que tomou a tragédia e a aproximação com o carinho e atenção dos parentes das vítimas nos traz imenso aprendizado. Não tem preço. Saí de lá com uma visão fantástica do Bombeiro Militar de Minas Gerais, que está conduzindo brilhantemente toda a operação na área atingida. Sem falar no povo mineiro que é muito acolhedor.