Um dos casos que mais repercutiu nesta semana foi a situação da menina Ana Clara, de apenas cinco meses. Em entrevista ao Grupo W3, os pais relataram o desespero pela demora na transferência da menina, que apresentava um quadro grave. Após a publicação da matéria, o Ministério Público chegou a entrar em contato com a família e, dois dias depois, finalmente, a transferência foi autorizada.

Segundo o pai, Gregório Soterio, Ana Clara foi transferida para Porto Alegre na última quarta-feira, 30, de helicóptero. “Ela só chegou no hospital e já começaram a fazer vários exames. Porém, infelizmente, o diagnóstico nos deixou ainda mais preocupados”, desabafa.

A menina está com cirrose – doença crônica do fígado caracterizada por alteração de suas células devido a infecções virais - e precisará passar por transplante. “Hoje, 31, já demos entrada nos papéis para o transplante, mas com toda essa demora na transferência ela acabou piorando. Ela está completando cinco meses exatamente hoje, nós estamos desesperados”, afirma o pai.

Confuso

Na segunda-feira, 28, após receber os questionamentos dos pais pela demora na transferência de Ana Clara, a reportagem do Grupo W3 entrou em contato com a assessoria de Comunicação da secretaria Estadual de Saúde. Um dia depois, a resposta encaminhada foi de que o órgão não teria registros da solicitação de transferência da menina. Leia a nota na íntegra:

“Não há nenhuma solicitação de transporte para a paciente Ana Clara de Aguiar Soterio. Também não há registro desta paciente no âmbito do TFD Estadual. Contudo, é possível que haja processo em tramitação na Regional de Saúde mais próxima do domicílio da paciente.

Em relação a negativa de atendimento, afirmamos a inexistência do referido fato. Se, cumpridas as etapas normais para admissão de um paciente no TFD Estadual (preenchimento do processo, agenda de atendimento na unidade referenciada e autorização da comissão médica), o atendimento não é negado.

Nossos pacientes, dependendo da condição física, ou ainda, devido as necessidades de suporte de vida, podem ser transportados por ambulância, avião ou ônibus e, nestes casos, as despesas correm por conta do estado.

Dependendo do tipo de remoção, caso haja imperiosa necessidade do uso de suporte de vida avançado e, se a remoção for feita entre unidades hospitalares, a Regulação Estadual de Leitos poderá, a seu critério, acionar transporte por UTI terrestre ou aérea”.

Apesar de afirmar que não haveria nenhuma solicitação de transporte, no dia seguinte em que nota foi encaminhada, a transferência foi realizada. “Ninguém nos explicou o que havia acontecido, o porquê de ainda não terem levado ela, simplesmente liberaram a transferência na quarta-feira”, explica o pai.