Aceitar o corpo que tem não é uma tarefa fácil, a grande maioria das pessoas está sempre insatisfeita e busca por mudanças. Seja se exercitando e tendo uma alimentação saudável ou fazendo uso de medicações e dietas malucas, a maioria busca pelo mesmo resultado e sempre com pressa.

Samara Tavares Nichele Dutra era uma dessas pessoas, tentou de todas as maneiras ter o corpo que sonhava, mas não passou de tentativas. Aos 29 anos, com 122kg e 1,74 de altura ela se submeteu a uma cirurgia bariátrica - procedimento que faz a diminuição do estômago e é indicada para o tratamento de obesidade quando exercícios físicos não possuem resultados. Mas o que era o início da realização de um sonho, se tornou um pesadelo.

Logo após a cirurgia, Samara começou a sentir dores abdominais, que foram progredindo e ficando cada vez mais severas. “Desde que eu fiz a cirurgia, já sentia as dores. Sentia muita cólica e estava sempre indo e voltando ao médico, mas os exames nunca apontaram nada. Após seis meses, eu comecei a sentir dores fortes no local onde a cirurgia havia sido feita. Precisei fazer uma assepsia, pois uma bola havia estourado. Fiz tratamento com antibióticos e a ferida fechou”, relata.

Samara ficou aproximadamente três meses sem dor alguma e parecia cada vez mais próxima de atingir o seu objetivo. “Até que em uma manhã, acordei com dor na nuca, estava com um caso semelhante a uma virose. Fui à farmácia e tomei alguns remédios e fui orientada, se os sintomas piorassem, a procurar um hospital. No dia seguinte eu já não conseguia me levantar, estava muito fraca”, lembra.

Levada a UPA de Araranguá pelo marido, após um desmaio, Samara continuou recebendo os medicamentos para tratar a suposta virose e recebeu um novo diagnóstico, estava com a pressão muito baixa. “Estava recebendo a medicação para aumentar a pressão, mas não estava melhorando. Tive que ser transferida para o Hospital Regional de Araranguá. Chegando lá, fui encaminhada para a UTI. A médica falou para o meu marido que meu caso era mais do que grave e que eu não tinha chance de vida”.

Na UTI, descobriram que Samara estava com infecção generalizada devido a uma bactéria. Em pouco tempo, a jovem estava com bolhas espalhadas por todo o corpo, rins parados, os pulmões com água e o seu quadro continuou a piorar “Depois de um tempo tomando os medicamentos, meus membros começaram a necrosar devido ao efeito colateral de um dos remédios que tomei enquanto estava internada. Meu pé direito, os dedos do pé esquerdo e todos os dedos das minhas mãos necrosaram”.

Ao todo, foram 19 dias na UTI. Na primeira semana, os médicos não tinham expectativas de que Samara fosse sobreviver. Mas com todas as complicações, de pouco em pouco estava melhorando. “Eu passei por tudo isso consciente, conversava com as enfermeiras e com os médicos e queria ir embora. Meus rins voltaram a funcionar e meu pulmão melhorou, mas as partes que necrosaram não tinha como recuperar. Perdi o pé direito, os dedos do pé esquerdo e todos os dedos das mãos”.

Recentemente, há quatro semanas, Samara voltou a Curitiba - cidade onde tinha realizado a cirurgia bariátrica - pois voltou a sentir dores em sua cicatriz, indicando uma nova infecção. “Após uma endoscopia, o médico constatou que meu organismo rejeita as linhas das suturas e teve que retira-las para que não voltasse a inflamar”.

Em casa há três semanas, Samara está bem e aguarda a próxima cirurgia para conseguir novamente os movimentos do pé esquerdo.

Uma nova visão

Mesmo acima do peso, Samara não possuía problemas de saúde, mas a luta de anos contra a balança afetava diretamente a sua autoestima. A falta de conhecimento sobre as causas e as dificuldades do combate a obesidade são causadoras de intolerância e preconceito. “Fiz a cirurgia porque nunca pude colocar a roupa que queria. Era sempre olhada pelas pessoas com olhar torto porque as todos acham que é só fechar a boca que emagrece, mas não é assim, durante anos fiz dietas, tomei remédios, fiz de tudo e não conseguia emagrecer. Foi onde surgiu a oportunidade de eu fazer a cirurgia bariátrica e eu vi nela uma maneira de me libertar daquele peso todo”.

Após tudo isso, Samara tem uma nova visão. “Eu aconselho a cirurgia para aqueles que possuem problemas de saúde relacionados ao peso. Se for por estética recomendo que não faça, porque somos bonitos sim, do jeito que somos. Não deem importância aos outros”, destaca.

Doações

Samara precisa de ajuda, as doações são necessárias para custear os remédios e despesas da casa. Seu marido está desempregado, pois pediu demissão para se dedicar aos cuidados que ela precisa. Samara também pede ajuda para a compra da prótese para um dos pés. O dinheiro pode ser doado através de uma vaquinha virtual. Para quem pretende ajudar pessoalmente ou via Correios, o endereço é rua Ângelo, sem número, no bairro Quarta Linha de Criciúma/SC, CEP 88812420. (Referência: quarta casa a esquerda antes de terminar a rua).

As doações também podem ser feitas através de depósito bancário.

CAIXA ECONÔMICA FEDERAL:

CPF 06094825993

Ag 1662

Op 13

Conta Poupança 470010