A Associação Catarinense de Provedores de Internet (APRONET) vai apoiar uma ação judicial com o intuito de corrigir os encaminhamentos do processo, via Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), de liberação de recursos provenientes de multa em investimentos nos serviços de telecomunicações e internet da Telefônica. O TAC propõe transformar R$ 3,09 bilhões de multas da operadora em investimentos da ordem de R$ 5,5 bilhões.

Essa decisão vai afetar, principalmente, os provedores regionais de todo o país, que já vêm prestando serviços de qualidade em localidades onde, muitas vezes, as grandes empresas não chegam. Além de, claro, possuir maior proximidade com o cliente e conhecer sua realidade, movimentando também a economia dessas cidades onde estão instalados.

Outro ponto da discussão é a falta de um estudo para verificar se nos municípios incluídos nos planos de expansão da Telefônica existe atuação de provedores. Muitas das cidades contempladas possuem empresas que já oferecem seus serviços e a TAC vai provocar um grande impacto no trabalho dessas prestadoras de telecomunicações regionais.

É importante salientar também que a decisão vai beneficiar as grandes operadoras, não sendo um recurso igualitário a todos os provedores que atuam na área. Além do mais, pode incentivar que as marcas que não realizam um bom atendimento aos clientes continuem perpetuando esse ciclo de insatisfação e maus serviços tendo agora um incentivo bilionário e a despreocupação no pagamento de multas, o que abre margem para irregularidades.

De acordo com o presidente da Associação, Alexandre Fenzke, 105 cidades poderão ser atendidas com fibra óptica pela Telefônica, utilizando-se dinheiro do TAC. Só em Santa Catarina, são oito municípios relacionados na lista, os quais já apresentam provedores atuantes que oferecem um serviço eficiente à população.

Na região sul do Estado, em Araranguá, há um total de cinco empresas que disponibilizam rádio, e dois provedores oferecendo internet via fibra, tendo cobertura de banda larga de alta qualidade em 100% do município.

Em Canoinhas, há cinco empresas, duas oferecendo fibra; em Concórdia, há sete e três com fibra; Itapema com quatro provedores, dois apresentam fibra; Mafra possui quatro e um com fibra; Rio do Sul também com quatro empresas de internet, sendo dois com fibra; Rio Negrinho, possui dois provedores, ambos com fibra; e já São Bento do Sul tem três empresas de telecomunicações, sendo que duas oferecem fibra óptica. Ou seja, são 34 empresas, e desse número, 16 dispõem de acesso via fibra óptica para melhor atender seus clientes e estimular o crescimento tecnológico das regiões as quais pertencem.

“A Apronet, junto com as outras associações, pretende se posicionar publicamente e apoiar uma ação judicial que visa corrigir os rumos deste processo de liberação de recursos”, adianta o representante.

Fonte: Texto: jornalista Vanessa Irizaga